Translate

Arquivo do blog

Total de visualizações de página

domingo, 22 de maio de 2005

SANTUÁRIO DO CARAÇA

Apresentação dos dados

Colégio do Caraça no século XIX, pintura do Museu da Inconfidência

RELATÓRIO DA VISITA TÉCNICA AO CARAÇA 

No dia vinte e dois de maio de dois mil e cinco, os alunos do curso técnico de turismo saíram do Centro Federal de Educação Tecnológica-Cefet em direção a Serra do Caraça. Antes de chegar ao santuário, eles depararam com as belíssimas montanhas que compõem o acervo do Parque Natural do Caraça. Este trecho pertence a Serra do Espinhaço e está localizada entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. É considerada uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado. 




Ao chegar no complexo do antigo colégio tiveram como atividade caminhar pela trilha da capelinha. Uma dentre tantas que há no parque.

Imagem de satélite do google maps
Através desta imagem de satélite pode-se ver a distância percorrida do Santuário à capela construída no alto da montanha.  

Descampado da trilha.

A capelinha se encontra em uma região de difícil acesso. A 200 m de altura e 2 Km de distancia do Santuário. 

A caminhada teve inicio no estacionamento, próximo ao lago. De lá penetraram a mata por uma trilha estreita. Passaram por uma área aberta, onde os alunos puderam avistar a capelinha enquadrada pelas árvores e pela montanhas.







Portal na trilha
Entraram novamente a num novo caminho certado pela mata nativa. Na beira da trilha depararam com um portal. Que não tiveram acesso. Já que não foi necessário cruza-lo para se chegar a capelinha. 
Seguiram para o alto caminhando por uma passagem rochosa de difícil escalarem. Para não cair, tiveram que apoiar no cabo de aço que foi estendido pela passagem. Lá tiveram a visão privilegiada do centro histórico cercado pelo verde. 


Finalmente chegaram na capela. A construção é simples e modesta. Não possui torres e nem ornamento. 


A Capela do coração de Jesus
Segundo o professor do cefet, o esforço físico de chegar o local, valeria como penitencia a Deus. Os construtores da capelinha levaram as ferramentas e matérias no lombo de burro. É tiveram muito estorvos na construção, tanto que o cenáculo não chegou a ser concluído. Suas pedras ainda permanecem intacta ao lado da capela.
Ruínas ao lado da capela 

Depois do almoço, que tem o cardápio comida típica mineira feita no fogão a lenha, conhecemos um atrativo muito curioso, a pedra que escorregou D Pedro II, quando visitou o Caraça. D. Pedro I também visitou o local. Ambos os imperadores demonstraram admiração pelo santuário. D Pedro II deixou registrado esse momento em seu diário, onde elogiou a biblioteca, os alunos e a beleza naturais e arquitetônica. Teria dito: "Só o Caraça paga toda a viagem a Minas".

Em seguida visitamos o museu. O prédio foi reerguido em cima das ruínas da construção que pegou fogo em 28 de Maio 1968. Pode-se observar o estilo construtivo da época, já que as paredes foram deixadas a mostra, revelando as pesadas pedras. Algumas partes ainda exibe marcas do incêndio, as rochas estão ainda tingidas pelo cinza da fumaça.  



Museu do Caraça 
No andar de baixo encontra-se o museu que contém as camas dos imperadores, o altar da antiga igreja, porcelana dentre outros objetos antigos. já no andar de cima funciona a biblioteca, onde foram armazenados a metade dos livros que sobreviveram ao incêndio. 


A cama usada pelo Imperador 
Balanças antigas e os pesos

Maquinas de costuras usadas pelos padres para fazer batinas. 

Antigamente o prédio funcionava como biblioteca, encadernação, farmácia, enfermaria e a ala dos internos. Segundo o guia que nos apresentou o local, o fogo começou porque um dos alunos, que cumpria o seu serviço na encadernação, esqueceu o fogareiro elétrico aceso. Este objeto tinha como finalidade manter a cola em banho maria. No museu encontra-se um exemplar exposto. 

Exemplar de fogareiro

Igreja N.S Mãe dos homens

No mosteiro os estudantes visitaram a igreja construída pelo arquiteto e diretor do colégio Jules Clavelin. O templo é considerado a primeiro em estilo Neogótico do Brasil. 

A antiga igreja foi derrubada em 1873 para que esta pude-se ser construída no local. A outra não tinha capacidade para comportar o número crescente de alunos que frequentavam as missas, por isso a necessidade de ter um templo maior. Esta levou 7 anos para ser concluída e foi inaugurada em 1883


A arquitetura foi inspirada do estilo de construção francês, mas os matérias usados foram providos no próprio estado. A pedra sabão foi extraída  perto da Cascatona; o mármore veio das cidade de Itabirito e Mariana; e o quartzito da redondeza do Caraça e vizinhança. 


O novo templo possui arcos e vitrais góticos. Os 5 vitrais próximo ao altar são franceses. O que esta no meio foi um presente de D. Pedro II. A imagem mostra o menino Jesus entre os doutores da lei. Percebe-se a coroa do imperador desenhado abaixo do messias. 


Também encontra exposto um quadro pintado pelo grande mestre barroco Ataíde. A obra representa a santa ceia. Além dos 12 apóstolos, o autor também retratou mulheres participando da cena, pois a figura feminina sempre esteve presente na vida do messias e por isso não poderia deixar de pintalas. Uma detalhe interessante desta obra e que Judas encara o observador diretamente. Seu olhar segui o apreciador onde quer que ele esteja. Este personagem segura um saco de dinheiro na frente. Simbolo da traição.



Na igreja permanece guardado um órgão de raridade beleza feito de Cedro vermelho e Jacaranda. Segundo o relato do orientador, o instrumento musical possui 628 tubos e foi construído por um português caracense o Pe. Luís Gonzaga Boavida. Sua oficina foi visitada pelo imperador que queria ver o progresso da construção do órgão.    

De acordo com o documentário, que os alunos do curso assistiram, a história do Caraça começa com o padre Lourenço. A lenda em torno de sua figura relata disse que ele teria chegado a serra para refugiar-se da perseguição do Marques de Pombal. Esta autoridade portuguesa teria condenado sua família a morte acusando-os de atendar contra a vida do rei D. José I de Portugal. Foi os bandeirantes que batizaram o local com o nome Caraça, pois ao passarem pelo local identificaram uma formação rochosa que tem o traçado de um rosto gigante visto de perfil.

Com a morte do irmão Lourenço, o Caraça ficou de herança para o reino, até que D. João VI doou o Santuário ao Lazarista, para que fosse criado um colégio interno. A face mais prospera do Caraça foi a sua fase francesa. Nesta época o colégio se tornou um dos principais centros de educação do país. O internato começou com quadro alunos, chegou a ter quatrocentos. Dentre as personalidades ilustres que estudaram esta os presidentes da república  Afonso Pena e Artur Bernardes. 

O Caraça possui ainda inúmeros atrativos que não poderiam visitar, por questão de tempo. No espaço encontra a Cachoeira Cascatinha e Cascatona, Pico de Verruguinha, Pico do Inficionado, Gruta do Bocaina, Pico do Sol, Gruta de Lourdes, Pico de Carapuça, Gruta de Pe. Caio, Tabões, Banho Belchior, Tanque Grande, Pinheiro e Cruzeiro.  

Análise

A diversidade encontrada no local proporciona o desenvolvimento de vários tipos de turismo. Por exemplo, o turismo cultural, pedagógico e histórico. O acervo arquitetônico presente possui relevância histórica para Minas Gerais e por isso a área construída do santuário foi tombada em 1955 pelo IPHAN. Possui instituições educacionais que é o museu e a biblioteca. Na biblioteca há obras raras e famosas, como Historia Naturale, de Plínio – O Velho, datado de 1489. Esta obra foi editada por ocasião da imprensa de Gutenberg entre os anos de 1450 a 1500. É considerada a primeira enciclopédia.


O turismo religioso é uma das fontes para quem procura retiro espiritual. O ambiente calmo e os templos proporcionam a meditação e o enriquecimento do espirito. Um dos lugares procurado para reflexão e o calvário, onde encontra-se as estatuas que representam a crucificação.

Calvário, um dos atrativos religioso.

Estatuas que representam o sacrifício de Cristo

O relevo, cercado de montanhas, é indicado para quem gosta de esporte, principalmente de longas caminhadas pelo ambiente natural. Pode-se ainda praticar nado em cachoeiras e rios. É recomendável que estas atividades sejam acompanhadas por guias treinados. Já que o risco de acidentes é alto. 

No ecoturismo poderá ser desenvolvido conjuntamento com a conscientização da preservação da natureza. O principal publico para este fim é o estudantil. O professor poderá usar o rico patrimônio e levar os alunos a reflexão sobre a importância do meio ambiente. 


Outro tipo de turismo é o de observação dos hábitos do animais e do estudo de plantas, praticado geralmente por acadêmicos da área biológica. O parque possui uma rica fauna com representantes da espécie macaco guigó, pacas, sagui, sauás, tamanduá mirim, quatis, esquilos, antas, gato do mato e o famoso Lobo Guará e um rica flora com mais de duzentos orquídeas identificadas e raras bromélia, candeias, macaúba, angico, ipê-amarelo. Este tipo de atividade está inserida no chamado turismo cientifico.