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domingo, 11 de maio de 2008

VITORIANO VELOSO - PRADOS

INTRODUÇÃO

O turismo tornou-se uma importante atividade econômica do século XX, isso se deve a alguns fatores como urbanismo, industrialização, o aumento do nível de negócios, uma maior disponibilidade de renda, aumento de tempo livre, etc. A atividade turística traz contribuições significativas para outros setores e ocupa uma posição de destaque nas relações econômicas, sociais e políticas da sociedade.

Apesar desta área apresentar ganhos consideráveis e ser uma fonte de renda para diversas localidades gerando emprego, melhorando a infra-estrutura básica etc. Se esta atividade não for bem estruturada ela pode trazer malefícios à região receptora, desgastando a atratividade do local. Por isso é fundamental conhecer os agregados da oferta e da demanda para a realização do planejamento turístico que é um processo de analise da atividade turística de um determinado espaço geográfico. Estabelecendo diretrizes com as quais se pretende impulsionar, coordenar e integrar o conjunto macroeconômico em que se está inserido.

No desenvolvimento da atividade turística é necessária para oferecer uma melhor condição de vida a população, por isso é importante realizar o planejamento urbano, pois é ele quem solucionara os problemas urbanístico com a distribuição de infra estrutura física, ordenação do espaço, criação  de leis e de infra estrutura social. Este é um instrumento fundamental para o crescimento de um município como de Prados.

Prados localiza-se no campo das Vertentes a 232 km de Belo Horizonte. Tem acesso pelas rodovias BR-040, BR-383 e BR-265. Faz divisa com os municípios de Coronel Xavier Chaves, São João Del-Rei, Resende Costa. e a Tiradentes e esta inserido no Circuito Trilha dos Inconfidentes, da Estrada Real e Associação das Cidades Históricas.

O município pertenceu a São José del Rei, atual Tiradentes de 1718 a 1890 e emancipou-se em 1890. O povoado originou-se no inicio do séc XVIII, quando membros da família Prado, vindo de Taubaté, fixaram-se na região com o objetivo de explorar o ouro.  Com o esgotamento das jazidas, houve o desenvolvimento de pequenas indústrias no arraial de Prados, que transformou a localidade num importante centro mineiro de exploração industrial e artesanal do couro. Enquanto o distrito de Bichinhos transformou-se em importante centro de artesanato na região devido a Oficina de Agosto criada por Antonio Carlos Bech .

Vitoriano Veloso recebeu o apelido de Bichinho no final do século XV, pela forma como os pequenos animais, principalmente os macacos, apareciam aos bandos para comer os restos dos alimentos deixados pelos garimpeiros.  O distrito pertence ao Município de Prados oficialmente desde 1938.

O clima geralmente é frio, por causa da altitude, a vegetação é o cerrado e o relevo é formado por planalto. Contem ruas, casarões e igrejas tombadas pelo Patrimônio Histórico.  Prados destaca-se na área cultural, sobretudo no campo da música. A Corporação Banda-Lira Ceciliana, criada em 1858, até hoje mantém orquestra sacra, banda de música e coral.

CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO / DISTRITO

Prados faz parte do circuito Trilha dos Inconfidentes que é composto pelas cidades, de Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Entre Rios de Minas, Ibituruna, Lagoa Dourada, Madre Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, São João Del Rei, São Tiago, Tiradentes.

A região é caracterizada pelos eventos que acontecem durante o ano, o Festival de Inverno em São João Del Rei, a festa das Rosas em Barbacena, o festival Gastronômico e a amostra de cinema em Tiradentes. Em toda a região do Circuito pode-se verificar uma rica e variada produção artística, destacando o artesanato de grande versatilidade e beleza, marca da identidade, tradição e criatividade mineira. Um dos maiores produtores de artesanato é o distrito de Vitoriano Veloso, conhecido como Bichinhos no município de Prados.

O município de Prados é uma cidade setecentista, que mantêm ainda em seu centro histórico, igrejas e casarões bem conservados. Segundo a tradição, o povoado se formou através de uma bandeira chefiada pela família Prado. Formando um núcleo de mineração que mais tarde tornou-se o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Prados.

O fato de o lugar ter sido passagem de boiadas e tropas muito contribuiu para o desenvolvimento da localidade. Em 15 de abril de 1890, o arraial foi elevado à vila e, um ano depois, a vila foi elevada à cidade.

Prados conserva também sua tradição musical que tem origem nas cerimônias religiosas dos séculos XVIII e XIX. E no mês de julho, é realizado ali um festival de música erudita que faz parte do calendário dos eventos mais importantes do Estado. Em Prados viveu a mulher considerada como a mais atuante no movimento da Inconfidência Mineira - a rica pradense, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, mulher do inconfidente Francisco Antônio de Oliveira Lopes. O casarão que lhe serviu de residência após o degredo do marido é hoje um atelier de artesanato que fica em frente à Igreja Matriz. Também é a cidade onde nasceu e viveu o único inconfidente negro, Vitoriano Gonçalves Veloso que nasceu na localidade em 1803. Em 1894 passou a ser denominado Vitoriano Veloso em homenagem a este Inconfidente.

No começo do século XVIII Bichinho era parte do território da Vila de São José Del Rei, atualmente conhecido como Tiradentes, o povoado se formou, por causa da exploração aurífera, ocupando posição de destaque em seu entorno. Recebeu o apelido de Bichinho no final do século XV, pela forma como os pequenos animais, principalmente os macacos, apareciam aos bandos para comer os restos dos alimentos deixados pelos garimpeiros.

Aspectos gerais (geográficos, socioeconômicos, ambientais e infra-estrutura básica)

O município de Prados encontra-se há 190 km de Belo Horizonte, tem uma área de 261,41 km², possui 7.703 habitantes e é banhado pelo Rio da Morte e o Ribeirão do Pinhão que está inserido na bacia do Rio Grande.

A vegetação que mais caracteriza a região é a dos campos de altitude, principalmente, nas áreas de maior elevação. Nos cursos d’água são encontradas matas de galerias ou ciliares e em manchas esparsas ocorre à vegetação de cerrado.

O relevo é um planalto, onde o processo de erosão é maior do que o processo de sedimentação. A principal formação rochosa do município é a serra de São José que é composta por um paredão de quartzito. Ela é uma unidade de conservação que preserva a Mata Atlântica, onde vivem diversas espécies de animais de pequeno porte, como micos Tamanduás, jaguatirica e varias aves. A Serra é compartilhada pelas cidades de Coronel Xavier Chaves, São João Del Rei, Tiradentes, Prados, Santa Cruz de Minas.

O distrito de Vitoriano Veloso, chamado também de Bichinho, possui aproximadamente 769 habitantes e 37 famílias, fica a 12 km do município de Prados e 8 km de Tiradentes. O caminho para se chegar ao distrito a partir da capital mineira é pela BR-040, em direção ao Rio de Janeiro, logo após Congonhas, pela BR-383 em Direção a São João Del Rei, no trevo para Prados, seguindo 12 km. O acesso para se chegar ao distrito é por uma estrada de terra que oferece um belo visual dos contornos da Serra São José.

As casas próximas a oficina de Agosto, que esta localizada na estrada Real entre Tiradentes e a entrada de Bichinho, são maiores, geralmente de dois andares e são bem mais trabalhadas do que as do centro. A arquitetura caracteriza-se pelo retorno as casas típicas de minas que são as casas de Adobe e do estilo colonial.

O distrito apresenta apenas um posto de saúde que atende toda a população de Bichinhos, não há posto policial e o transporte não é adequado para se chegar ao distrito, não há sinal de celular. A população é atendida pelos serviços de energia elétrica, água tratada, coleta de lixo, serviço de esgoto, porém, não há dados específicos do distrito, sobre a porcentagem da população atendida pelo poder publico responsável pela infra-estrutura básica. Os dados obtidos são gerais, isto é, pertence ao município: Sendo que 90% da população recebem água tratada, 95% possuem energia elétrica, 40% possuem serviço de esgoto, há serviço de coleta de lixo e o município tem aterro sanitário.

As principais atividades econômicas do município são a Indústria de artefatos de couro e de produtos alimentícios como aves, pecuária produção de leite, queijos, lavouras de café, mandioca, milho e feijão. Contém uma população ativa é de 3.274 pessoas, 21% no setor agropecuário, extração vegetal e pesca 34% na indústria, 8% no comercio de mercadoria e 37% no setor de serviços. Já no distrito de Vitoriano Veloso destaca-se a produção artesanal e o turismo.

O artesanato é a uma das atividades econômicas mais significativas, principalmente em Bichinho, onde a maioria da população esta inserida nesta atividade ou é beneficiada por ela. Destaca-se a produção em madeira e o trabalho com materiais reciclados. Assim o turismo cultural é o grande propulsor da renda local, gerando emprego, desenvolvendo do comércio, abrindo pousadas, restaurantes, incentivando a produção artesanal e melhorando o patrão de vida da população.

Aspectos Legais e administrativos – Organização Política
O município não tem nenhuma lei turística, nem lei complementar, porém, possui lei Orgânica, que pode auxiliar as ações do turismo no local.  Ainda não tem o plano diretor, mas, há uma parceria com a universidade de São João Del Rei para a sua elaboração. Por causa da falta desta lei, passa por alguns problemas nas construções, como por exemplo, construções desordenadas e problema de trânsito.

A falta de um plano diretor impossibilita o poder publico de intervir na comunidade de Bichinho, pois há um crescimento desordenado do comercio entorno da cidade de Tiradentes, influenciando a instalação de lojas em Bichinho. Algumas lojas instaladas no distrito são de empresários que não fazem parte da comunidade de Bichinho, estes trazem artesanato que não são do local.

 Os departamentos do município acumulam funções, pelo fato do município ser pequeno e o poder publico não ter muito recurso para investir. Por isso o Departamento de Turismo, administra também a Cultura, o Esporte e o Lazer; a Secretaria de Abastecimento, que gerencia o Meio ambiente e a Agropecuária.

Existe o Departamento Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer com o objetivo de Desenvolver o turismo no município, dando apoio e incentivo às manifestações culturais e as atividades esportivas. Junto com este departamento, funciona o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, que tem como finalidade criar ações que visão preservar o patrimônio da cidade de Prados, receber e analisar proposta de tombamento e cancelamento, bem como autorizar o acesso á documentos relacionados ao processo de tombamento. Realizar estudos sobre o impacto da vizinhança na paisagem urbana, e do patrimônio e de acordo com os interesses públicos fixa diretrizes.

Em governos anteriores a comunidade de Bichinho, passou por um período de recessões na agricultura, com a criação da APA – São José, não se podia plantar mais no local, considerado reserva ambiental

DIAGNÓSTICO

Análise do ambiente interno
Em governos anteriores a comunidade de Bichinho, passou por um período de recessões na agricultura, com a criação da APA – São José. Os locais onde se faziam plantios foram impedidos de continuar a prática agrícola, pois passou a ser local de reserva ambiental. Muitas famílias tiveram de sair do local da reserva e assim não tinham mais plantio de subsistência. Até que chegou ao distrito o artista Plástico Antonio Carlos Bech, conhecido com Toty. Ele começou a ensinar  o ofício do artesanato há comunidade, para que eles tivessem uma opção de renda. Fundando assim, a Oficina de Agosto. Por causa desta iniciativa é que ocorreu o crescimento de Bichinho, sem a dependência do poder publico de Prados.

Atrativos turísticos
Atratividade
A atratividade de Bichinho esta na simplicidade da forma como vive a comunidade. Tem como característica a tranqüilidade do interior, sem nenhum tipo de vestígio de vida urbana. As ruas são calçadas, as casas de adobe e a comida simples do interior sem muito requinte, mas saborosa, chama a atenção do visitante urbano, que escolhe visitar a cidade.

Há uma grande diversidade de produtos que são encontrados em lojas espalhadas dentro do distrito. Em algumas delas se encontram oficinas de artesãos onde se pode acompanhar todo o processo da produção artesanal. A mais importante delas é a Oficina de Agosto que é uma espécie de pequena indústria manufatureira, onde trabalham vários artesãos do distrito.

 As idéias da produção dos objetos nascem de Antônio Carlos Bech conhecido como Toty que repassam para seus ajudantes produzirem as peças criadas por ele.  Bichinho conseguiu com isto ter um estilo próprio de artesanato que encanto os visitantes de outros estados do Brasil e também os estrangeiros.

Atrativos Naturais 
Serra São José
A Serra São José tem a sua importante em Bichinho. Possui três unidades de conservação que são a Área de Proteção Ambiental (APA) São José, O Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra São José e a Área de Proteção Especial Serra São José. Estas Unidades de Conservações pertencem a cinco municípios, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João Del Rei, Coronel Xavier Chaves e Prados, porém, quem administra as áreas não são os municípios, mas o Instituto Estadual de Floresta-IEF. Prados não utiliza a serra para a atividades turísticas.
Sede da APA São josé

A Serra se encontra na microrregião dos Campos das Vertentes, possui 13 km de extensão, formada de quartzito que tem a forma de um paredão. É uma área especial, pois, apresenta uma grande diversidade de ambientes em um espaço considerado pequeno. Em sua região sul, no decorrer dos contrafortes da Serra, há um dos maiores fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, na parte norte, tem mata de galeria alastrando-se até o cerrado e nas áreas de maior altitude campos rupestre. Abrigam cerca de 120 espécies de libélulas, que são quase 50% das espécies conhecidas em Minas Gerais, além de lobos Guará, Jaguatiricas, cachorros do mato, veados, quatis, tucanos, maritacas, sanhaços, pardais, tico ticos, jacas, garça, seriemas, urubus e o gavião rei. Sua flora apresenta mais de 200 espécies catalogadas de orquídeas dos quais cinco são especificas da região.
Serra São José

Nos séc. XVIII e XIX, a Serra ela foi explorada pela mineração de ouro. Quando este metal esgotou, a mata regenerou-se parcialmente. Antes de ser instituída como unidade de conservação alguns espaços foram desmatados para serem utilizados pela agricultura de milho, feijão e o arroz. Estas atividades foram proibidas, no entanto ainda hoje há áreas sendo cultivada. No século XXI ocorreram de queimadas, desmatamento por causa da expansão urbana.

Atrativos turísticos artificiais


Atrativos turísticos históricos-culturais 
O distrito apresenta atrativos histórico-culturais como a Igreja Nossa Senhora da Penha de França, e também naturais e ecológicos, como a Serra de São José.

As características originais das construções do inicio do povoado perderam-se no tempo, restando apenas algumas casas de Adobe e a Igreja de Nossa Senhora da Penha de França localizada no centro do distrito. Mas com o fluxo de turistas vindos de Tiradentes, há uma tendência, principalmente dos comerciantes, de construir casas que lembrem o estilo colonial e as casas de adobe que existiam no local.

A Igreja Nossa Senhora de França encontra-se em bom estado de conservação tanto no seu exterior quanto no interior, pois em 2002 e 2004 foram feitas obras de restauração através do emprenho da comunidade e de alguns órgãos, como o Fundo Nacional de Cultura e o IPHAN.
Não se sabe exatamente quando foi erguida a Igreja, mas no final do século XVIII, ela foi ampliada com emprego de pedra sabão. Sua fachada é simples, porém, seu interior é mais detalhado. A talha do altar-mor foi construída no estilo rococó, atribui-se a Salvador de Oliveira.
Igreja Nossa Senhora de França

Os retábulos laterais são em madeira recortada com colunas lisas, as pinturas da nave foram feitas por Manoel Victor de Jesus e tem como figura central a santíssima trindade coroando a Virgem Maria no céu cercada por anjos. Já na capela-mor apresenta Nossa Senhora da Penha, ladeada por balcão com flores e a hierarquia angelical. Nos retábulos, púlpito, forro e no coro apresenta decoração em forma de conchas, conhecidas com rocailles. Além de elementos florais e marmorização.

Apesar de a Igreja ser um forte atrativo do distrito de Bichinho não há uma administração, para que ela seja usada turisticamente. Não fica aberta constantemente, então não há horários para visitações.

Museu do Automóvel 
O museu do Automóvel que possui 50 carros da década de 30, 40, 50 e 60, nacionais e importados sendo que 15 estão em processo de restauração. Apenas 35 são expostos no galpão. Alguns veículos são raros como o Renault Fregate (1953). Apresentam também automóveis clássicos como o Simca Chambord, DKW Vemag e o Renault Dauphine. Apesar de o museu ter um acervo interessante não há placas explicativas nos objetos contando a historia e a época pertencem.





A iniciativa da construção do museu partiu do colecionador Rodrigo Cerqueira Mouro. Ele reuniu, desde 1976, carros antigos que gostava de restaurar em sua oficina, localizada em seu sitio próxima a Bichinho.

O Museu do Automóvel esta localizado em uma área rural, no caminho da Estrada Real. A estrada esta sendo pavimentada com pedras e encontra-se em bom estado de conservação. Pode-se chegar ao museu através de uma Jardineira do ano 1935 que também faz passeios noturnos em Tiradentes, outro veículo utilizado é o carro próprio. Há estacionamento e uma loja de artesanato que funciona como recepção.


Manifestações culturais
Rituais de religiões e filosofias diversas
A única manifestação religiosa da cidade é a folia de reis, que é festejada no dia 20 de Janeiro. Esta data homenageia São Sebastião, que segundo a tradição católica, foi um mártir no período do Império Romano. Neste ritual as pessoas vão a diversas casas, a qualquer hora do dia, cantando músicas folclóricas para pedir contribuições em dinheiro e quando recebem, cantam uma música de agradecimento. O dinheiro arrecadado é revestido para algum benefício à comunidade. Os instrumentos utilizados na festa são: a sanfona, o violão, o pandeiro e o triângulo. Os participantes não usam roupas típicas de Folia de Reis, usam roupas do dia-a-dia.

Realizações técnicas-científicas
Não existe uma manifestação técnica – científica no distrito.

Eventos
Eventos culturais
Bichinho apresenta eventos tradicionais, como a festa de Nossa Senhora da Penha de França, Festa Junina, Semana Santa e Carnaval. Todas elas são organizadas pela comunidade e trazem benefícios para a população, pois, todo o dinheiro adquirido com as festas é aplicado em Bichinho. Porém não atraem um número significativo de turistas, pois os eventos da cidade acontecem ao mesmo tempo em que outros eventos tradicionais de renome na região.

No distrito também há dificuldade de realizar outros tipos de eventos. Houve uma tentativa por parte de alguns membros da comunidade, em organizar um evento ligado ao artesanato, mas, não tiveram êxito, pela falta de pessoas qualificadas para realizar o evento de forma adequada ao ambiente rural. 

Eventos Cívicos
                   Não existem comemorações cívicas em Bichinho. O distrito é lembrado no município, onde comemoram seu aniversário com uma festa.


Estabelecimentos de compras

O município de Prados possui uma produções artesanais relevante. São criados esculturas de animais em madeira e peças decorativas feitas com material reciclado. No entanto o distrito de Vitoriano Veloso é o que mais impulsionou esta forma de turismo cultural e ao mesmo tempo comercial. 


A proximidade de Tiradentes tem influenciado o artesanato de Bichinho, seja pelo seu entorno com lojas, e pelo preço do artesanato que esta ficando cada vez mais caros.



Há comerciantes vindos de outras partes de Minas e de outros estados, atraídos pela demanda que o artesanato típico de bichinho proporciona. Algumas destas lojas vendem artesanatos que não são fabricados em Bichinho.


Percebe-se que não há um controle do fluxo de empresários que chegam ao distrito. Os comerciantes alugam casas, um cômodo nos finais de semana, vendem seus produtos e depois vão embora.


O Interior de uma das lojas de artesanato. Os estabelecimento tem decoração rustica que condiz com o ambientes rural. Todos os objetos estão distribuído de forma a oferecer uma decoração agradável ao cliente. A maioria não vende somente um tipo de peça, mas vários objetos. deste moveis, quadros, lustres e lembrancinhas. 



Muitos dos lojistas descobrem a fachada das lojas para mostrar o estilo construtivo. É comum ver lojas com tijolos de adobe amostra.

INFRA ESTRUTURA DE APOIO AO TURISMO 

Oficinia Mecânica 
O distrito não tem uma oficina mecânica. A maioria dos turistas que visitam Bichinho vão de carro próprio. Uma oficina mecânica seria fundamental em caso de algum imprevisto na viagem. 

Outra deficiência do distrito é a falta de banco, a agência mais próxima esta em Tiradentes, que é o banco do Brasil e em Prados o Banco Bradesco. O distrito acaba ficando dependente destas cidades.


Serviços de comunicação
Em Bichinho são utilizadas as redes nacionais de TV e rádio. Não tem acesso a rede de internet. Porém há circulação de um mapa informativo para os turistas que ali chegam, contendo os principais locais históricos de Bichinho, e a localização dos pequenos estabelecimentos comerciais, que pagam pela tiragem do mapa. Todos os estabelecimentos e lojas de artesanato possuem cartões de visitas.

O distrito conta com serviço da agencia dos correio. 





Serviços de segurança
O distrito de Bichinho não apresenta nenhum Posto Policial, nem do corpo de bombeiros. Quem faz a segurança do distrito é o Posto Policial de Prados, que envia uma viatura para fazer a ronda uma vez por semana. Esta é insuficiente para atender a população e o turista nos dias de maior fluxo da cidade, que lota o distrito nos feriados nacionais e os finais de semana. 

No entanto há um projeto da Prefeitura de Prados, onde em breve será instalado um posto policial em Bichinho.

Serviços de saúde
            
O único serviço de saúde oferecido, e um posto de atendimento médico de funciona de segunda a sexta feira das 8h às 18h de forma precária, pois, não há sala de curativos e nem médico de plantão todos os dias da semana, o que dificultaria o atendimento no caso de uma emergência com algum turista ou morador.

O atendimento médico mais próximo é em Prados de onde são enviados os médicos que atendem no posto, o que também não é satisfatório, pois os casos mais graves são enviados para São João Del Rey, onde tem estrutura de CTI.

Também não há nenhuma farmácia para atender as necessidades da população e dos turistas. Apenas é possível encontrar medicamentos que não precisa de receita, no supermercado 

A prefeitura tem um projeto de implantar uma farmácia, que de acordo com um morador, já esta sendo providenciada e deve começar a funcionar até julho de 2008.

Sistema de educação
Não há nenhum curso técnico e superior, mas tem uma escola municipal que funciona nos turnos da manhã e da tarde, para o ensino fundamental. As crianças em idade de ensino médio precisa se deslocar até o município para estudar e o ensino superior é feito no município de São João Del Rei.


Padaria e supermercado
No distrito há uma pequena padaria que atende a comunidade, com pouca estrutura física, possui um balcão para o atendimento aos clientes e é oferecido pães e biscoitos artesanais. Há apenas um supermercado que também vende alguns remédios básicos.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS TURÍSTICOS 


Serviços e equipamentos de alimentos e bebidas 

Restaurantes

Existem restaurantes, de pequeno porte, que precisam de mais estratégias para atrair os clientes. No entanto o restaurante tempero da Ângela destaca-se como um estabelecimento de sucesso, atraindo turista que busca provar da boa comida mineira. Nele os visitantes fazem até fila de espera por uma mesa onde, podem permanecer durante o tempo que quiserem, pagando apenas R$12,00 pela refeição, que é servida self-service.

O restaurante se caracteriza pela simplicidade na decoração do local e na maneira de servir. Os clientes se servem direto no fogão de lenha. As verduras são colhidas na horta e há uma variedade de doces. 

O estabelecimento, principalmente na cozinha e banheiro, é bem higienizado aos funcionários são oferecidos cursos do SEBRAE.

No restaurante Tempero da Ângela, não há estrutura para receber deficientes físicos e todos os dias são servidos o mesmo tipo de alimentos sem variação de cardápio.


O atendimento é feito pelos próprios donos que trabalham em família. Dando ao local um clima intimo próprio do povo do interior. 

Bares
São em número de três, todos de pequeno porte que servem bebidas. São mais frequentados pelos moradores do distrito.

Lanchonetes
Há duas lanchonetes que servem sanduíches, bebidas e caldos. É frequentados tanto por moradores quanto por turistas. As lanchonetes não funcionam durante o dia. Elas recebem seus clientes no período de 19h00 até ás 23h00 da noite.

Sorveteria
Existe uma Sorveteria que também vende doces e serve sanduíches. Tem acomodações com mesas e cadeiras, banheiros feminino e masculino.


Terminal de passageiros e sistema de transporte
O distrito não tem rodoviária apenas pontos de parada que se estende avenida Samuel Possa, rua principal. 

O transporte é feito por meio de uma lotação, que é usada mais usada pela população do que pelos turistas. Não existe serviço de táxi dentro do distrito. Os táxi que ali chegam vêm em sua maioria dos municípios vizinhos. 


Os turistas chegam de carro próprio ao distrito. Alguns alugam o serviços charreteiros do distrito de Tiradentes, ou vem por meio de uma Jardineira que recolhe turista em Tiradentes. 


Equipamentos / estabelecimentos de diversões

Não há nenhum tipo de estabelecimento de diversão, mas existe um projeto do proprietário, da Pousada Cipó Arte, para construir um pesque-pague e uma área de camping com capacidade para 40 pessoas, contendo estacionamento e com restaurante terceirizado.


Espaço para eventos
Não existe um local próprio para a realização de grandes eventos. A população utiliza a Praça Nossa Senhora da Penha, em frente à Igreja para realizar as festas religiosas. Porém, não é um espaço adequado, pois, além de ser pequeno, o terreno é inclinado, prejudicando a montagem de equipamentos de som e barraquinhas. 

Há duas quadras de futebol para o lazer da comunidade. Geralmente, elas são utilizadas pelas crianças e pelo time de futebol de Bichinhos.

Meios de hospedagem
Em Bichinhos as Pousadas têm poucos equipamentos e serviços. A maioria não tem as instalações que geralmente encontra-se em outras pousadas como área social, instalações para deficiente físico, piscina, DVD e acesso a internet, porém a maioria tem em sua estrutura sala de TV e estacionamento.

Por se tratarem de pousadas, de pequeno porte, não há necessidade de funcionários com funções específicas, os poucos funcionários fazem os serviços gerais, sem um treinamento adequado que os qualifique a prestar um melhor atendimento ao turista.

Três pousadas possuem lojas de artesanato: a Pousada Cantagalo, a Pousada Ponto e Nó e a Pousada Cipó Arte. 

A pousada Cipó Arte, busca reproduzir a casa de abobe. Esta foi construída e decorada pelo proprietário do empreendimento.
Pousada Cipo Arte 
Cozinha da pousada


Local de descanso e leitura

O distrito não possui hotel fazenda, mesmo sendo uma região onde este tipo de estabelecimento seria apropriado.

Centro de informações turística
Há um grande fluxo de turista nos feriados, porém o distrito não tem um centro de informações turísticas. As informações são passadas pelos moradores e comerciantes que não receberam treinamento para esta função. 

A divulgação da infra-estrutura de apoio como restaurantes e bares e de equipamentos turístico são realizadas através de amigos e empresários de outra cidade favorecendo alguns grupos. Um centro de informações seria necessário para evitar favoritismo buscando o beneficio de todos.

Análise dos resultados da pesquisa da demanda turística
A maior faixa etária dos visitantes de Bichinho são pessoas de 26 a 55 anos, com rendas mensais de 8 até mais de 11 salários mínimos. O público freqüentador do distrito é considerado de classe A e B.

O lazer mostrou maior motivação para visita ao distrito, seguida pelo artesanato do lugar. As pessoas vão ao local em busca de qualidade de vida em um ambiente que favoreça suas relações interpessoais. A maioria dos visitantes de Bichinho viaja acompanhada de familiares, seguidos de parentes e amigos. Não foram encontradas crianças nos grupos.

Os visitantes se hospedam no município de Tiradentes, permanecendo apenas 1 dia em Bichinho.  No entanto, não sentem falta de um receptivo turístico, achando desnecessários guias e condutores de turismo, considerando boas as informações turísticas recebidas pelos moradores.  A comunidade de Bichinho deseja que haja um aumento no fluxo de turistas do distrito.

Análise da entrevista com a comunidade
Através da entrevista percebe-se que comunidade de Bichinho participa da atividade turística intensamente, pois, a atividade tem trazido grandes benefícios a população com a venda do artesanato, o entendimento que o visitante prefere ver  a preservação da arquitetura de adobe, típica do local, isto gera mais empregos nas construções. Estes fatores fazem com que a comunidade deseje o crescimento do turismo, mas eles desconhecem o fato de que o crescimento também pode ocasionar impactos negativos.

A população esta ciente que é necessário melhorar a infra-estrutura física para receber o turista, porém no distrito não há uma associação organizada que atue defendendo os direitos dos artesãos da comunidade de forma geral. Com a vinda dos turistas para Bichinho, a comunidade percebeu que, o que motiva os visitantes que procuram o distrito é exatamente o que não encontravam nas suas cidades, como a grande oferta de artesanato seja para comprá-lo ou para buscar inspiração nos objetos criados no local. Também há pessoas que vêem pela culinária e o costume de ficarem horas em torno da mesa do restaurante conversando com um grupo de amigos.

O grupo observou que a entrada do distrito na parte de Tiradentes, esta se tornando um lado nobre em Bichinho, com algumas construções de casas novas, com estilo dos casarões antigos do município de Tiradentes ou de construções de adobe com portas e janelas de madeiras, geralmente, madeiras de demolição antigas, dando uma imagem de casas antigas. Isto faz com que o distrito fique com um estilo definido e não tenha misturas de estilos, conservando o estilo mais tradicional antigo de Bichinho. Porém, o centro da cidade, na rua principal onde funciona o comércio do artesanato, ainda tem características do tempo em que não existia o turismo no distrito e as pessoas estavam optando em fazer casas modernas.

Análise do ambiente externo

O distrito é cortado em sua extensão pela Estrada Real (Rua São Bento) que vai de Tiradentes a Prados. De Tiradentes à Bichinho nota-se que a estrada é mais conservada é possui calçamento de pedra ao contrario da estrada de Bichinho a Prados, que tem estrada de terra. O distrito esta dividido pela margem direta do Córrego do Bichinho, que deságua no Rio da Morte, onde se encontram as áreas residenciais e as comerciais e a margem esquerda pertencente à unidade de conservação da Serra São José. 


Trecho da Estrada Real
As casas próximas a oficina de Agosto, que esta localizada na estrada Real entre Tiradentes e a entrada de Bichinho, são maiores, geralmente de dois andares e são bem mais trabalhadas do que as do centro. A arquitetura caracteriza-se pelo retorno as casas típicas de minas que são as casas de Adobe e do estilo colonial.

Conclusões gerais do diagnóstico

O distrito apresenta potencial turístico, porque possui uma rica capacidade de produzir artesanatos manuais, como enxovais, trabalhos com materiais de construção reciclados produzindo móveis e adornos domésticos, que dão origem a objetos como mesas e armários, com uma técnica de fabricação criativa usando madeira e ferro. Percebe-se também um grande potencial culinário devido à fama do Restaurante da Ângela e da tradição de fabricar doces caseiros.

Nas moradias são feitos ateliês, onde se comercializam os artesanatos. Não há necessidade de ter pousadas muito sofisticadas, porque, o publico de Bichinho busca a simplicidade.

Bichinho necessita de uma melhor infra-estrutura de apoio ao turista como: Telefonia móvel, serviços de saúde, policiamento, atividades de lazer para os jovens, caixas eletrônicos, internet, sinalização turística interna, e infra-estrutura de acesso nas estradas que ligam os municípios vizinhos até chegar ao distrito, transporte coletivo para moradores com horários bem ajustados a população.

A atual administração publica começou a desenvolver ações para melhorar o calçamento de Bichinho a Tiradentes, como a instalação de rede de esgoto e futuras telefonias celulares, instalação de posto policial, posto de correios, centro de informações turísticas, primeiramente em Prados e depois em Bichinhos, para divulgar o município de Prados.

Não há uma organização oficial dos artesãos para obter uma política de preços, mas há uma ética neste sentido, para não prejudicar o parceiro comercial.
O município de Prados precisa ser mais atuante dentro do distrito, fortalecendo seus laços com Bichinho de forma mais presente.         

O acesso até o distrito pode ser melhorado para atrair o turista de lazer e aventura que ainda não é explorado no local, isto pode ser alcançado com ônibus em terminais rodoviários, com horários mais flexíveis.

Precisa contratar profissionais para fazer o planejamento turístico do município e do distrito, e junto como a prefeitura de Prados, estabelecerem diretrizes para melhorar a atividade turística, e também necessita de um profissional de mecânica permanente em Bichinho para atender a população.

Nota-se que em Bichinhos há um fluxo de turistas nos feriados e finais de semana, para o aproveitamento desta demanda é necessário trabalhar os equipamentos e serviços turísticos, explorando mais os atrativos naturais da região. Através da realização de eventos específicos para atrair turistas ecológicos.

As igrejas deveriam abrir freqüentemente para receber visitantes, porém, deve haver um controle na visitação e observar a conservação do acervo da igreja.

O museu do automóvel poderia ter um espaço para exposição com placas explicativas em cada automóvel, identificando o tipo, época e a historia daquele automóvel. Explorar mais o interior dos carros com demonstrações de suas peças.
  
Criar um espaço para eventos ou utilizar as quadras de futebol para festa da comunidade, equipando-a para atender as necessidades da comunidade.

Algumas propostas deveram ser trabalhadas em Longo prazo, pois estas só podem ser realizadas em etapas.

O distrito deve ser envolvido em atividades de conscientização e de educação ambiental com o apoio da APA- São José como um local de prática de ecoturismo e passeios. Envolvendo as pousadas do local, através da política de incentivo e treinamento de guias e condutores para a APA. Deveria fazer parcerias entre o IEF para que a Serra São José seja explorada turisticamente por Bichinho, incentivado e gerando profissionais aptos no local, para operar equipamentos de esporte radicais e orientar os turistas.

Centro do visitante na sede da Apa em Prados. Este ambiente é usado para educação ambiental, através de exposições permanentes.  







Teatro usado para palestra onde geralmente as crianças do município e instruída sobre educação ambiental 


Auditório com aparelho áudio visual  




domingo, 4 de maio de 2008

ARTESANATO E ARTE PRIMITIVA

INTRODUÇÃO
           
            Esta pesquisa foi realizada pelas alunas do 5º período de turismo do Centro Universitário Newton Paiva, na tentativa de levantar uma discussão sobre a arte primitiva e o artesanato de forma geral, buscando compreender como são trabalhados no turismo e qual a perspectiva que o turista tem deste assunto. Serão abordados conceitos de arte naif, arte popular e primitiva, artesanato, arte popular versus artesanato e turismo cultural.
            Tratará das formas como a arte primitiva é abordada no turismo, visando atingir a sensibilidade do turista como um crítico potencial e um possível consumidor da arte e do artesanato, passando de observador a colecionador e participante da cultura primitiva e do artesanato, dando a sua contribuição na divulgação de mesma. Através do estudo de caso de Vitoriano Veloso, o artesanato será estudado com o pressuposto de aumento de renda para a comunidade, bem como a melhoria da qualidade de vida.
            Será analisada a importância do artesanato dentro das culturas tribais bem como as suas manifestações artísticas culturais, fazendo com que o leigo vivencie a realidade de povos considerados primitivos com suas crenças e rituais. O case os guardiões da África trará a questão do passado, mostrando as possibilidades do futuro, onde moradores da tribo e turistas dividem o mesmo espaço, trocando conhecimentos, e celebrando a cultura primitiva.
            Finalizando será feita uma análise da arte popular versus o artesanato e suas implicações com o turismo, aproveitando o case do distrito de Vitoriano Veloso para fazer as aplicações culturais.  Observará como o artesanato é absorvido pelos turistas e qual a sua relação com a comunidade receptora de turistas culturais, em relação aos benefícios e prejuízos que a atividade turística, pode trazer ao distrito.
  
ARTE PRIMITIVA
            O pintor Augusto Rodrigues realizou a primeira exposição de Arte Popular, no estado do Rio de Janeiro. Isto fez com que olhasse a escultura com um olhar de admiração, pois ainda não fazia esta arte. Trouxe a primeira exposição. Dentre os escultores destaca-se Vitalino em 1947, que definiu o nome de Arte Popular, ao tipo de produção de escultura. O conceito de Arte Popular esta ligado ao conceito de Arte Primitiva, que vem do final do século XIX e início do XX.  Passou pela arte negra em Paris de 1905, influenciando o pintor Picasso.
            O nome Arte Popular / Arte Primitiva, também é usado para Músicas, danças e festas populares.  Era pensada em 1950 como uma arte anônima ou de grupos. Aproximou-se das artes consideradas cultas pela sua autoria singular, ou seja, as obras dos autores têm marcas de estilo,  são marcas de um andamento individual.
Case Tribo Africana- Os Guardiões da Africa
                        “Alguns turistas viajam com o propósito de experimentar uma
                        cultura diferente, no sentido mais amplo possível, em um     destino visitado                         artes, artesanato, trabalho, religião, idioma, tradições, comida                                                          vestuário”.(HUGHES, 2004, P.55)
 
            Desde que a arte primitiva virou moda nas galerias de Paris, Londres e Nova York houve uma busca por objetos da África.  No Quênia e na Tanzânia, as lapides dos túmulos Suahilis formam roubadas, na Somália, o acervo do Museu Nacional da Somália foi saqueado e as peças vendidas para turistas no Quênia. Em Mali, vários objetos estão sendo levados e vendidos por muito dinheiro, como: as máscaras mortuárias encontradas nas cavernas em Bandiagara, pertencentes aos Dogons.  
            Os dogons considerados como Os guardiões da África, são um povo cujas tradições não foram transformadas pelo cristianismo, islamismo e outras correntes. Eles conseguiram manter seus costumes quase intactos devido a sua localização, no alto da escarpa de Bandiagara, local de difícil acesso.  Chegaram à região fugindo de caçadores de escravos, cristãos e mulçumanos e permaneceram no local servido como esconderijo. 
             Na aldeia construíram casas em forma de um corpo humano. Celeiros divididos entre femininos, que guardam algodão, peixes secos, amendoim e equipamentos de cozinhas e os masculinos para estocar cereais. Os turistas que visitam as aldeias têm que seguir algumas regras, pois há ruas que não permitem a passagem de mulheres grávidas e crianças, enquanto que outras só podem ser utilizadas em dias específicos.  
A descoberta da arte primitiva dos dogons criou a curiosidade de visitantes que vêem conhecer este povo. Isto fez com que muitos rituais fossem apresentados de forma não espontânea, apenas para agradar alguns turistas em troca de dinheiro.
Por causa do alto valor dado as máscaras antigas dos dogons, muitas estão sendo falsificadas no mercado europeu, de modo a ter uma aparência antiga, para posteriormente serem vendidas a turistas. Enquanto outras máscaras de valor histórico foram roubadas da encosta de Bandiagara ou foram compradas a baixo custo para serem revendida nos leiloes da Europa.   Algumas pessoas da tribo não estão conscientes da importância da preservação das máscaras antigas como patrimônio e símbolo da identidade cultural da tribo, acabam se desfazendo delas em troca de dinheiro oferecido pelos turistas, isso de deve a dura vida local.
            Os turistas têm causado tantos impactos negativos, no caso das máscaras, como positivos ao fazer com que a cultura e asse verificar que os deão  des que vvs aarticipante, podendo at um critumidor tradições do povo dogons seja preservada. Alem disso é importante observar que entre o turista e os habitantes há diferentes formas de vivenciar o ritual. Por mais que o turista vivencie outra forma de costume, ele sempre será influenciado pela sua cultura e verá o ritual apenas como representação teatral. Ao contrario da população local, onde a representação faz parte de seu mundo real que é vivenciado por sua crença e seus deuses.
 
  ARTE NAÏF
            Arte Naif no Brasil significa gênero de pintura ingênua e às vezes primitiva. Ser um artista Naif é mais um estado de espírito com uma maneira pessoal de pintar. São autoditadas e suas pinturas não fazem parte de nenhuma escola ou tendência. Os artistas pintam sem regras, nem constrangimentos, eles podem ousar.
            São considerados os anarquistas do pincel pela sua forma irreverente de pintar sem ter escola. Ente os artistas Naifs encontram-se sapateiros, carteiros, donas de casa, médicos, jornalistas e diplomatas. A arte naïf ultrapassa o fato de se chamar de arte popular.
            Nesta arte o artista expande o seu universo particular, não se enquadra nos moldes acadêmicos, sem tendências modernistas e sem o conceito de Arte Popular. Isto a traz para uma faixa próxima da arte infantil, do doente mental e por ultimo da arte primitiva, ao mesmo tempo em que não se confunde com elas. O artista tem a sua fonte de inspiração nas referências culturais de ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos.
                                   "Os artistas naïfs são forçosamente autodidatas no sentido que eles                                                não receberam influência ou dirigismo de um professor de Belas Artes.                                          Eles começam a pintar por impulso e procuram resolver as dificuldades                                     técnicas com meios próprios, sendo perdoados quando as suas figuras                                      não são perfeitamente desenhadas ou quando aparecem erros de                                         simetria e perspectiva. Porém, a experiência da prática ao longo dos                                         anos pode proporcionar ao pintor naïf uma técnica apurada e certeira",                                           Ardies.    (http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/artenaif.htm)
            Caracteriza-se pelas pinceladas com cores fortes, sem um aspecto linear geométrico e tem uma composição plana, bidimensional, com tendências de simetria e linhas sempre figurativas.  A arte Primitiva ou Naif é vinculada a arte popular nacional e de origem tipicamente brasileira.
            Chamada de arte primitiva por ser produzida por artistas considerados como não-eruditos, e com temas populares inspirados no meio rural. Quando se trata de um tema urbano, costuma-se chamar de Naif, onde tem mais relevância entre os artistas franceses e haitianos, como uma forma de rejeição das regras convencionais da pintura, ou mesmo por não ter acesso a elas.
           
ARTESANATO
            O campo do artesanato é democrático que permite todo o tipo de contribuição, desde que sejam feitos a mão. As mudanças no artesanato ocorrem de forma coletiva e lenta e muitas vezes não se sabe quem realizou. Alguns habilidosos artesãos não criam, simplesmente reproduzem copias, mais mesmo assim podemos ter um artesanato de alta qualidade. Algumas pessoas vão traz de copias, em lugares específicos para esta reprodução.
            Segundo IGNARA (1999) existe muitos destinos turísticos que estão se especializando na produção cultural, exclusivamente para serem mostradas aos visitantes que irão receber.  A oficina de Agosto, local de produção do artesanato do distrito de Vitoriano Veloso, conhecido mais popularmente por Bichinho, pertencente ao município de Prados é um forte exemplo deste tipo de produção cultural. O artesanato produzido em Bichinho é vendido e importado para muitos países do mundo como peça de elemento artístico cultural.
           
O case Oficina de Agosto
 
            HÁ quase 10 anos atrás o artista plástico Antônio Carlos Bech, mais conhecido como Toty, e sua irmã Sônia Vitalino resolveram compartilhar com a comunidade de Vitoriano Veloso, Bichinho, suas habilidades artísticas. Fundaram então a Oficina de Agosto nome do ateliê, da loja e da marca, para funcionar além de um local de aprendizado e aperfeiçoamento, como uma loja. Foi na Oficina de Agosto que, se não a maioria da comunidade, boa parte dela desenvolveu a sua habilidade como artesão.
            Toty e Sônia eram donos de um antiquário em São Paulo, quando tiveram a idéia de fazer das pessoas que quisessem aprender o ofício de artes em artesãos. Assim fizeram influenciados pelos antiquários, começaram a usar madeiras de demolição e objetos antigos que eram inesperados, como palha para criar quadros, bonecos, móveis, luminárias e castiçais. Usaram os temas como Galinha d’angola, frutas, pássaros e mesmo a comunidade para dar o ar de fazenda antiga.
            O resultado deste espaço cultural foi a transformação em um meio de vida para a comunidade, pois havia uma carência de trabalho no lugar. A Lavoura era a principal atividade e boa parte da população era de mulheres. A boa vontade do artista em ensinar encontrava a habilidade das pessoas para o artesanato. Bichinho foi consagrado pelos visitantes do lugar, que passaram a admirar e comprar as peças produzidas na Oficina. Dentre o variado artesanato apresentado, estão às esculturas de papel machê, de uma grande beleza e as peças entalhadas de madeira, nas mais variadas formas.
            O meio ambiente também não é esquecido, através de materiais reciclados, como latas, ferro, madeira, latas e tampinhas de refrigerante, garrafas plásticas, outras lindas peças vão surgindo, e com certa sofisticação, vão ganhando espaço. O objetivo dos coordenadores da Oficina de Agosto é conseguir em curto prazo uma utilização de 100% de material reciclado.
         Os funcionários da oficina são recrutados entre a própria comunidade de bichinho, contam com a mão-de-obra de 50 pessoas na oficina e com 60 pessoas trabalhando todos os dias em suas próprias casas, considerados como artesãos autônomos, capazes de abrir a sua própria loja.
            Entre os autônomos estão os homens que começaram a vender suas peças e a se firmarem como artesãos. Cada peça passa pelas mãos de 7 a 8 artesãos, que produzem juntos 500 peças por mês. Isto faz com que a peça seja única, pelo muito tratamento que elas recebem.
           
Os visitantes da Oficina de Agosto por estarem visitando a cidade de Tiradentes, também vão ao distrito de Bichinho, participante do município de Prados, para fazer suas comprar. Dentre os clientes da Oficina estão 13 países onde a loja tem compradores, além de ter outras filiais nas cidades de Tiradentes e São Paulo.
            A Oficina trouxe grandes possibilidades para a comunidade. Como a modernidade dos orelhões, celulares, e computadores. Porém esta modernidade não tirou da comunidade a consciência do seu modo de vida simples, que atrai os turistas e encanta os outros países. As casas também chamam a atenção pela sua forma de construção de adobe, sem a necessidade de asfaltar as ruas.  
            Como acontece no distrito de bichinho. O contato do visitante com as oficinas onde são feitas as obras, é importante para reforçar a idéia, da cultura e do trabalho necessário para se fazer o objeto de arte, que a pessoa precisa até chegar ao produto final, que encanta o consumidor da peça. Sobre isto o autor Ignara (1999) declara:
                       
                        O visitante deseja comprar lembranças típicas dos locais que ele visita. Assim,
                        colocar à disposição do visitante locais para que ele possa comprar o autêntico
                        artesanato é muito importante, como também é importante possibilitar ao turista
                        o acesso às oficinas de produção artesanal, para que ele acompanhe as                                 técnicas de elaboração do artesanato. (IGNARRA, 1999, 120).
TURISMO CULTURAL
            Considerado como uma continuidade do passado o turismo cultural, é aquele onde, alguns elementos da cultura, são avaliados pelos autores do turismo como materiais ou imateriais em relação ao desenvolvimento de suas potencialidades. Pode também ser definido como sendo as pessoas de fora de uma comunidade receptora, que são motivadas de forma geral ou específica, pelo interesse na oferta histórica do local, podendo ser esta oferta artística, científica ou apenas um interesse pelo estilo de vida, tradições da comunidade, religião, grupo ou instituição.
            Quando o turista adquire um produto cultural, como uma arte popular ou um artesanato, ele esta levando consigo as tradições, memórias e a trajetória de vida que recontam a história da comunidade. O que acontece, por exemplo, quando se compra uma colcha de fuxico, de crochê ou de renda, o que se está fazendo é levando um pouco do passado, prolongado no presente.
            Ao refletir sobre a continuidade do passado através de objetos culturais, é possível resistir as mudanças da atualidade, através de um circulo cultural que reforça uma cultura de crenças e valores antigos, em toda a forma de leitura, seja pelo comportamento da comunidade que recebe o turista, seja por meio do olhar do turista para esta a produção. Resgatando um olhar e uma percepção do que realmente é a tradição daquele povo, em relação ao que é produzido para alimentar o turismo de massa.
 
Os artesanatos produzidos como arte popular, são reconhecidos por ser de tradição familiar, ou seja, são as formas de produzir o objeto do mesmo jeito que eram produzidos no passado, da maneira como foram aprendidos por avós que aprenderam de bisavós, chegando até a nova geração, porém com uma funcionalidade maior do produto, que passam a agregar valores que influem no cotidiano do turista. 
 
Portanto, o que se procura neste tipo de turismo é a busca da importância dos objetos considerados como materiais culturais. Nestes objetos o simbolismo do ato de preservar a mesma técnica de confeccionar a peça, é  feita por gerações. È o que acontece com o artesanato e com a arte popular. Eles despertam um especial interesse no segmento do turismo cultural, pela busca de uma identidade cultural igual ou totalmente diferente a sua.
   Referências Bibliográficas: