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Zezé Leone é uma locomotiva a vapor, pertencente ao modelo Pacific (4-6-2) construída pela American Locomotive Company (Alco) em 1922, declara o jornal Trem de Ferro da ABPF-RJ. Só pelo fato de ser um veiculo antigo já chama a atenção, pois agrega um valor histórico, que proporcionaria a compreender a evolução do transporte ferroviário e a expor a mecânica adotada naquela época. Entretanto outros aspectos curiosos estão envolvidos nesta historia.
Em primeiro lugar é a origem.
Esse trem chegou ao Brasil através de uma visita inusitada. Segundo Cavalcanti,
foi o Rei Alberto I da Bélgica que, quando visitou essa nação, enviou a locomotiva
como presente pelo centenário da Independência. Outro fato instigante é a explicação
do apelido, pois Zezé Leone foi o nome da primeira Miss Brasil eleita em 1923.
De
todas as jovens que conquistaram o titulo de Miss Brasil, Zezé Leone foi a mais
icônica. Recebeu homenagem em letra de marchinha; deu nome a uma rua e perfume, participou do filme “Sua Majestade, a Mais Bela”, do
estúdio Botelho Films; dentre outros trabalhos publicitários. Também ganhou um doce com o seu nome. A receita pode ser conferida no link: https://charlelitoreceitas.blogspot.com/2020/04/doce-zeze-leone.html
Segundo
Cavalcanti, a locomotiva, ao ser integrada a frota da Estrada de Ferro Central
do Brasil (EFCB), recebeu o nº 370. Foi utilizada no transporte noturno de
passageiros de Cruzeiro do Sul, o Rio de Janeiro e São Paulo. Seu principal
maquinista foi Carlos Pereira da Rocha. Ele era o responsável pela linha entre
Rio e São Paulo. Em sua memória relata que quando os residentes do subúrbio
carioca ouviam os apitos, corriam para a janela ver a passagem do trem. Era o
próprio maquinista responsável por cuidava da limpeza do veiculo. Ele fazia
questão por conservar o metal sempre lustroso. Aproveitava os momentos em que a
maquina estava parada e chamava os filhos para ajuda-lhe na limpeza.
Oliveira
conta que em 1968 a locomotiva ficou inoperante. Estava fardada a virar sucata
como o resto dos maquinários da Central do Brasil e assim ficaria perdida para
sempre. Entretanto houve intenção de recuperar o patrimônio. O que demorou a
ser posto em pratica.
Esta
foi uma saga a parte. Conforme Oliveira como demorou a iniciar o projeto, as
principais peças de bronze foram retiradas e guardadas em caixotes. Essa terminou
sumindo, quando o deposito foi fechado nos anos 90.
Esquecida,
exposta na frente do deposito, acabou sofrendo com a ação do tempo. Ficou anos sem
proteção que impedisse sua continua ruína.
Em
1991 no jornal Trem de Ferro da ABPF-RJ exprimiu preocupação com a degradação
do patrimônio e cogitou uma possível restauração no futuro. Segundo a matéria, a
Associação Brasileira de Preservação Ferroviária recomendou a construção de uma
cobertura ou a deslocamento da locomotiva para o interior do Depósito.
Conforme
fontes de Oliveira, no ano 2002, a MRS e os aposentados a retiraram do lugar e
a guardaram no interior, onde ficaria protegida. Só em 2005 foi redescoberta,
quando o pesquisador Sergio Martire fazia o inventário das locomotivas a vapor
para Notícia & Cia.
Com esse trabalho foi proposto à recuperação. O projeto foi levado ao
Ministério da Cultura em 2007. Nesse a MRS Logística prometeu disponibilizar
recurso para o restauro. A recuperação começou em 2008.
Apesar
do excelente trabalho da equipe de restauradores, a locomotiva não está sendo
usada para passeios turísticos. De fato isso é um desperdício de um bem de
grande potencial. Ela deveria render recursos para pagar o dinheiro gasto com o
restauro e gera renda para o município.
Conclusão
A
história dessa locomotiva é um exemplo do que acontece com muitos dos patrimônios
no Brasil. Já que, apesar do reconhecimento de ser um bem importante, e do
alerta pela necessidade de restauração, deixou-se deteriorar por um longo
tempo. Certamente os recursos utilizados foram maiores do que se tivesse
iniciado o projeto antes, quando ainda a deterioração não era menor.
Faltamente
isso poderá levar a uma nova degradação do patrimônio e talvez a perda total. Já
que os recursos adquiridos pelo uso, uma parte deveriam ser revertido na sua manutenção.
Se não há a utilidade, não tem como manter a preservação desse atrativo.
Enfim
atrativos turísticos não devem ser pensados como meros enfeites para cidades e
sim como geradores de renda e emprego.
Referências
Bibliográficas:
Artigo sobre a locomotiva Zezé Leone no jornal “Trem de
Ferro”, da ABPF-RJ, em 1991.
CAVALCANTI, Flavio, Locomotiva Zezé Leone disponível em: http://vfco.brazilia.jor.br/locomotivas/vapor-EFCB-Estrada-de-Ferro-Central-do-Brasil/pagina-29-locomotiva-Alco-Pacific-370-Zeze-Leone.shtml
CAVALCANTI, Flavio, Locomotiva Zezé Leone: história,
recuperação e projeto turístico, disponível em: http://vfco.brazilia.jor.br/atualizacoes/2013-07-22-projeto-turistico-locomotiva-Zeze-Leone.shtml
OLIVEIRA, Andreia, A Imponente Zeze Leone, disponível em:
http://deianarede.blogspot.com/2012/06/imponente-zeze-leone.html
O processo recuperação esta registrado nesse site.
Pintura de Ana Paula Marques Soares. Link: https://anytamarques.blogspot.com/2020/04/locomotiva-zeze-leone.html
Pintura de Ana Paula Marques Soares. Link: https://anytamarques.blogspot.com/2020/04/locomotiva-zeze-leone.html
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