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sábado, 12 de outubro de 2013

GUERRA E PAZ -Diário de Viagem

Algumas experiências na vida tornam-se única. Uma destas foi quando fui à exposição sobre a obra “Guerra e Paz”. A pintura ficou exposta entre os dias 9 de Outubro a 24 de Novembro de 2013 no Cine Theatro Brasil em Belo Horizonte.

O painel de Portinari foi uma oferta do governo brasileiro a sede da ONU, em Nova Iorque. Foi colocado em local nobre, no hall de entrada da Assembleia Geral. No entanto a entrada é limitada aos delegados das Nações. Os murais “Guerra” e “Paz” permaneceram assim isolado da apreciação popular, até que uma reforma no edifício sede da ONU, entre 2010 e 2013, proporcionou a oportunidade de trazer a obra para a apreciação publica. É por isso que considero este momento como uma experiência única.

Logo de manhã uma fila enorme se formou na porta do Cine Theato. Sorte que chegamos cedo, por isso fomos um dos primeiros a entrar.

Achei interessante a forma como os organizadores decidiram expor a obra. Primeiramente eles levaram as pessoas para a sala de cinema e lá fizeram uma introdução utilizando como recurso um vídeo 10 minutos. Nesse foi mostrado à vida do autor, narrada pela voz de Drummond num poema. Enquanto dizia os versos, varias obras do mestre e fotos de sua pessoa foram destacadas. 

A mão

Por Carlos Drummond de Andrade
Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
E nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta 
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
o que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos.
A mão cresce mais e faz
do mundo como-se-repete o mundo que telequeremos.
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o invisível.
Tudo tem explicação por que tudo tem (nova) cor.
Tudo existe por que foi pintado à feição de laranja mágica,
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da Terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires, ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel,
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde-róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar-angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari."



Depois houve uma explicação sobre a obra. Para isso utilizaram o poema A Guerra e a paz de Fernando Brant


"A guerra é uma cavalgada 
cruzando o azul da paisagem
cortejo de fome e de morte
ferindo o coração dos homens

A mulher velando o filho morto
a mulher e a criança chorando
a mãe e a filha em desespero
de cabeças rolando na grama

A guerra são os quatro cavalos
regendo a sinfonia de dores
são os braços erguidos em prece
pedindo o final dos horrores
A paz é um coro de meninos
é a voz eterna da infância
as mulheres dançando na roça
os meninos pulando carniça
É a noiva de branco sorrindo
na garupa de um cavalo branco
a mulher carrega um carneiro
crianças no espaço balançam

A paz está nos meninos
que brincam nos campos da infância
nos homens, nas mulheres cantando
a harmonia, a esperança." 

Por ultimo detalhes da obra foram projetados na tela, enquanto um efeito de luz mostrava onde estes fragmentos se encontravam na pintura. Ache que essa foi uma forma espetacular para destacar aqueles minudencias que passam despercebidos.

Ao final da apresentação abriram-se a cortina e a obra foi revelada. As pessoas puderam ir até o palco para ver de perto.

Nos andares superiores podemos ver os rascunhos da obra.

Guerra e Paz

A obra de Portinari intitulado “Guerra e Paz” foi pintado entre o ano 1952 e 1956. Consiste em um conjunto de 28 placas de compensado naval, com 2,2 metros de altura por cinco metros de largura e 75 quilos cada uma. A área total pintada, uma superfície de 280 metros quadrados.