Apresentação dos dados
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| Colégio do Caraça no século XIX,pintura do refeitório. |
RELATÓRIO DA VISITA TÉCNICA AO CARAÇA
No dia vinte e dois de maio de dois mil e cinco, os alunos do curso técnico de turismo saíram do Centro Federal de Educação Tecnológica-Cefet em direção a Serra do Caraça. Antes de chegar ao santuário, eles depararam com as belíssimas montanhas que compõem o acervo do Parque Natural do Caraça. Este trecho pertence a Serra do Espinhaço e está localizada entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara. É considerada uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado.
História do Caraça
Foi os bandeirantes que batizaram o local com
o nome Caraça, pois ao passarem pelo local identificaram uma formação
rochosa que tem o traçado de um rosto gigante visto de perfil.
A origem do Complexo histórico do Caraça surgiu com o padre Lourenço. A lenda em torno de sua
figura relata que ele teria chegado a serra para refugiar-se da
perseguição do Marques de Pombal. Esta autoridade portuguesa teria
condenado sua família a morte acusando-os de atentar contra a vida do
rei D. José I de Portugal.
Com
a morte do irmão Lourenço, o Caraça ficou de herança para o reino, até
que D. João VI doou o Santuário ao Lazarista, para que fosse criado um
colégio interno. A face mais prospera do Caraça foi a sua fase francesa.
Nesta época o colégio se tornou um dos principais centros de educação
do país.
O internato começou com quadro alunos, chegou a
ter quatrocentos. Dentre as personalidades ilustres que estudaram esta
os presidentes da república Afonso Pena e Artur Bernardes.
O
Caraça possui ainda inúmeros atrativos que não podemos visitar, por
questão de tempo. No espaço encontra a Cachoeira Cascatinha e Cascatona,
Pico de Verruguinha, Pico do Inficionado, Gruta do Bocaina, Pico do
Sol, Gruta de Lourdes, Pico de Carapuça, Gruta de Pe. Caio, Tabões,
Banho Belchior, Tanque Grande, Pinheiro e Cruzeiro.
Visita técnica.
Ao chegar no complexo do antigo colégio tiveram como atividade caminhar pela trilha da capelinha. Uma dentre tantas que há no parque.
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| Imagem de satélite do google maps |
Através desta imagem de satélite pode-se ver a distância percorrida do Santuário à capela construída no alto da montanha.
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| Descampado da trilha. |
A capelinha se encontra em uma região de difícil acesso. A 200 m de altura e 2 Km de distancia do Santuário.
A caminhada teve inicio no estacionamento, próximo ao lago. De lá penetraram a mata por uma trilha estreita. Passaram por uma área aberta, onde os alunos puderam avistar a capelinha enquadrada pelas árvores e pela montanhas.
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| Portal na trilha |
Entraram novamente a num novo caminho cercado pela mata nativa. Na beira da trilha depararam com um portal. Que não tiveram acesso. Já que não foi necessário cruza-lo para se chegar a capelinha.
Seguiram para o alto caminhando por uma passagem rochosa de difícil escalagem. Para não cair, tiveram que apoiar no cabo de aço que foi estendido pela passagem. Lá tiveram a visão privilegiada do centro histórico cercado pelo verde.

Finalmente chegaram na capela. A construção é simples e modesta. Não possui torres e nem ornamento.
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| A Capela do coração de Jesus |
Segundo o professor do cefet, o esforço físico de chegar o local, valeria como penitencia a Deus. Os construtores da capelinha levaram as ferramentas e matérias no lombo de burro. É tiveram muito estorvos na construção, tanto que o cenáculo não chegou a ser concluído. Suas pedras ainda permanecem intacta ao lado da capela.
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| Ruínas ao lado da capela |
Depois do almoço, que tem o cardápio comida típica mineira feita no fogão a lenha, conhecemos o museu. O prédio foi reconstruido em cima das ruínas da construção que pegou fogo em 28 de Maio 1968. Pode-se observar o estilo construtivo da época, já que as paredes foram deixadas a mostra, revelando as pesadas pedras. Algumas partes ainda exibe marcas do incêndio, pois há rochas que estão ainda tingidas pelo cinza da fumaça.
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| Museu do Caraça |
No andar de baixo encontra-se o museu que contém as cama onde repousou Dom Pedro II
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| A cama usada pelo Imperador |
D. Pedro I visitou o local. Ambos os imperadores demonstraram admiração pelo santuário. D Pedro II deixou registrado esse momento em seu diário, onde elogiou a biblioteca, os alunos e a beleza naturais e arquitetônica. Teria dito: "Só o Caraça paga toda a viagem a Minas".
Contem também o altar da antiga igreja, porcelana dentre outros objetos antigos. já no andar de cima funciona a biblioteca, onde foram armazenados a metade dos livros que sobreviveram ao incêndio.
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| Balanças antigas e os pesos |
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Maquinas de costuras usadas pelos padres
para fazer batinas.
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Antigamente o prédio funcionava como biblioteca, encadernação, farmácia, enfermaria e a ala dos internos. Segundo o guia que nos apresentou o local, o fogo começou porque um dos alunos, que cumpria o seu serviço na encadernação, esqueceu o fogareiro elétrico aceso. Este objeto tinha como finalidade manter a cola em banho maria. No museu encontra-se um exemplar exposto.
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| Exemplar de fogareiro |
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| Igreja N.S Mãe dos homens |
No mosteiro os estudantes visitaram a bela igreja gótica N.S Mãe dos Homens. O templo foi erguido onde existia a primitiva ermita do Irmão Lourenço, Esse novo monumento foi idealizada pelas mão de Pé. Júlio Clavelin.
No inicio do seu Superiorato. Foi ele o responsável por ampliar a ala direita do edifício colonial, expandindo de 6 para 11 o número das janelas. A data da construção ficou registrada sobre a porta lateral.
Também, pensando no crescimento de alunos, esteve a frente na edificação na ala esquerda um edifício que liga aos fundos da igreja.
Contudo a sua obra mais ambiciosa foi a construção do templo neogótico NS Mãe dos homens, iniciada em 3 de Setembro de 1876, onde foi posta a pedra fundamental, por um ex aluno, Dom Luiz Antônio dos Santos, bispo de Fortaleza.
O trabalho de construção foi penoso para o Padre Clavelin. Ele, que foi engenheiro e arquiteto, por isso recaiu a obrigação solucionar sozinho os mais difíceis complicação da mecânica. Depois resolve-los, realizou a obra com perfeita retidão. Vencendo a ausência de operários capacitados, a falta de ferramentas específica e a dificuldade de transporte. Por fim, após passado sete anos pode ver seu empreendimento realizado, sem ocorrência de nenhum acidente devido às limitações, como o uso de instrumentos primitivo para erguer grandes pedras à uma altura de mais de 40 metros.
Todavia sua frustração no dia da consagração da igreja foi não ter o comparecimento do seminário maior. Esse tinha voltado para Mariana. O evento ocorreu no dia 27 de Maio de 1883, com o comparecimento dos bispos Dom Pedro Maria de Lacerda, Dom Antônio Correia de Sá e Benevides e Dom Luiz Antônio dos Santos.
Sobre a Igreja Dom Francisco Silva escreveu:
“Hino de granito aí está na encosta da Serra, cantando estrofes de pedra, torre esguia e alta que, como a invocação de um poema sacro, sobe para o céu, em busca da inspiração; nas finas e delicadas colunas, como cantos diversos do mesmo poema, desdobra-se em episódios, ora singelos e frescos como as manhas, ora trágicos e dolorosos, ponteados de pungentes saudades... e, como último cântico, o altar de mármore, em cujo trono, alvo como a cecém, aparece a Senhora Mae dos Homens, na sua majestade meiga de Mãe, a convidar seus filhos da terra para junto de Jesus, seu filho do céu. Os mestres podem achar defeitos, no conjunto arquitetônico, mas o coração, o coracão dos fiéis acha um deslumbramento que o transporta além das misérias da terra, para essa região da piedade e da crença, toda banhada de claridades místicas."
A diversidade encontrada no local proporciona o desenvolvimento de vários tipos de turismo. Por exemplo, o turismo cultural, pedagógico e histórico. O acervo arquitetônico presente possui relevância histórica para Minas Gerais e por isso a área construída do santuário foi tombada em 1955 pelo IPHAN. Possui instituições educacionais que é o museu e a biblioteca. Na biblioteca há obras raras e famosas, como Historia Naturale, de Plínio – O Velho, datado de 1489. Esta obra foi editada por ocasião da imprensa de Gutenberg entre os anos de 1450 a 1500. É considerada a primeira enciclopédia.
O turismo religioso é uma das fontes para quem procura retiro espiritual. O ambiente calmo e os templos proporcionam a meditação e o enriquecimento do espirito. Um dos lugares procurado para reflexão e o calvário, onde encontra-se as estatuas que representam a crucificação.
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| Calvário, um dos atrativos religioso. |
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| Estatuas que representam o sacrifício de Cristo |
O relevo, cercado de montanhas, é indicado para quem gosta de esporte, principalmente de longas caminhadas pelo ambiente natural. Pode-se ainda praticar nado em cachoeiras e rios. É recomendável que estas atividades sejam acompanhadas por guias treinados. Já que o risco de acidentes é alto.
No ecoturismo poderá ser desenvolvido conjuntamento com a conscientização da preservação da natureza. O principal publico para este fim é o estudantil. O professor poderá usar o rico patrimônio e levar os alunos a reflexão sobre a importância do meio ambiente.
Outro tipo de turismo é o de observação dos hábitos do animais e do estudo de plantas, praticado geralmente por acadêmicos da área biológica. O parque possui uma rica fauna com representantes da espécie macaco guigó, pacas, sagui, sauás, tamanduá mirim, quatis, esquilos, antas, gato do mato e o famoso Lobo Guará e um rica flora com mais de duzentos orquídeas identificadas e raras bromélia, candeias, macaúba, angico, ipê-amarelo. Este tipo de atividade está inserida no chamado turismo cientifico.