Como a sua pergunta foi interrompida no final, a explicação a seguir conecta as Finanças Corporativas e as principais áreas de Gestão Financeira (fluxo de caixa, receitas, despesas, investimentos, financiamentos, riscos e retorno) utilizando o exemplo prático de uma empresa aérea
1. O Fluxo de Caixa de uma Empresa Aérea: Receitas e Despesas
O controle do fluxo de caixa (registro de entradas e saídas de dinheiro) é vital para uma companhia aérea garantir que haja dinheiro imediatamente disponível para honrar seus compromissos diários.
Classificação das Receitas (Entradas de Dinheiro)
Receita Principal (ou Primária): É o dinheiro gerado pela atividade-fim da empresa. No caso da linha aérea, é a venda de passagens aéreas para passageiros e o transporte de cargas regulares.
Receita Secundária: É o recurso que provém de uma atividade constante, mas que não é o foco principal do negócio. Exemplos incluem a cobrança pelo excesso de bagagem, a venda de lanches e bebidas a bordo, ou taxas para marcação de assentos especiais.
Receita Financeira: Recursos que a empresa recebe provenientes de juros de aplicações financeiras feitas com o dinheiro que sobrou temporariamente no caixa.
Receita Não Operacional: Ganhos extraordinários decorrentes da venda de um ativo permanente depreciado. Por exemplo, se a empresa aérea decidir vender uma aeronave antiga ou computadores velhos de seus escritórios para renovar a estrutura.
Classificação dos Custos e Despesas (Saídas de Dinheiro)
Nas organizações, há uma separação técnica importante entre custos e despesas:
Custos (Ligados à produção/serviço): Recursos gastos diretamente na prestação do serviço vendido. Na aviação, o combustível de aviação (QAV) e os salários e diárias da tripulação de voo (pilotos e comissários) são considerados custos operacionais diretos.
Despesas (Ligados à administração e vendas): Gastos correntes necessários para manter a estrutura administrativa e o esforço comercial funcionando. Os salários da equipe de marketing, o material de escritório e os gastos com a diretoria são despesas operacionais.
Esses gastos ainda se dividem em Fixos e Variáveis:
Despesas Fixas: Ocorrem todo mês independentemente do número de voos realizados. Exemplo: O aluguel dos balcões de check-in nos aeroportos ou as licenças mensais dos softwares de reserva de passagens.
Despesas Variáveis: Flutuam diretamente de acordo com o volume de operação ou vendas. Exemplo: As tarifas aeroportuárias de pouso/decolagem pagas a cada voo e as
comissões pagas às agências de viagens pela venda de bilhetes.
Despesas Semivariáveis: Possuem uma base fixa, mas variam conforme o consumo. Um exemplo simples é a conta de energia elétrica dos hangares de manutenção.
2. Investimento e Financiamento na Aviação
Decidir onde aplicar o dinheiro e de onde retirá-lo são duas perguntas centrais que a área de finanças corporativas busca responder.
Investimento: É a aplicação de dinheiro hoje com a intenção de gerar mais riqueza no futuro. Para uma empresa aérea, comprar uma nova frota de aviões modernos ou construir um hangar próprio de alta tecnologia para manutenção são investimentos de longo prazo, pois trarão benefícios operacionais e econômicos por muitos anos.
Financiamento: Como aviões custam milhões, a empresa aérea raramente compra tudo à vista. Ela utiliza o financiamento (comprar agora para pagar em parcelas no futuro). A empresa aérea se beneficia desse modelo avaliando os juros cobrados pelos fornecedores e bancos em relação ao retorno que os novos aviões trarão.
3. Noções de Risco e Retorno no Setor Aéreo
O setor de aviação é conhecido globalmente por ser de alto risco, e as finanças corporativas trabalham constantemente para mitigar essas incertezas:
Risco Operacional: Risco de a operação dar prejuízo. Se a empresa aérea enfrentar uma baixa demanda e os aviões voarem quase vazios, ou se o preço internacional do petróleo disparar, os custos superarão as receitas, gerando prejuízo.
Risco de Crédito: Ocorre se a empresa aérea não conseguir pagar suas dívidas de financiamento das aeronaves (gerando multas e até apreensão dos aviões) ou se grandes agências parceiras que vendem suas passagens a prazo deixarem de repassar o dinheiro.
Risco de Liquidez: Uma empresa aérea pode ter vendido milhares de passagens parceladas para o final do ano (garantindo receita futura), mas se ela não tiver dinheiro disponível no caixa hoje para pagar o combustível do dia ou o salário dos funcionários, ela enfrenta uma crise de liquidez.
Risco de Mercado: Ligado à economia como um todo. Como a maior parte dos custos de aviação (peças, leasing de aviões, combustível) é cotada em dólar, uma **alta repentina no câmbio** ou uma subida nas taxas de juros afeta severamente a rentabilidade.
Risco Legal: Mudanças repentinas em leis de aviação civil (regulamentações da ANAC) ou uma onda de processos judiciais por atrasos de voos e extravios de bagagens.
O Retorno: Como o risco do setor de aviação é elevado, os acionistas e investidores que colocam dinheiro na empresa exigem uma taxa de retorno potencial muito maior para compensar a possibilidade de perda.
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