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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Qual a diferença de Compliance para governança corporativa?

É muito comum confundir os dois conceitos, já que ambos andam de mãos dadas no mundo empresarial e um depende do outro para funcionar. Pense neles como o sistema de navegação e o cinto de segurança de um carro: a governança decide o rumo que o veículo vai tomar, enquanto o compliance garante que todos os passageiros estejam de cinto e respeitando as leis de trânsito durante o trajeto.
Abaixo, fica mais fácil visualizar onde cada um atua:



Governança Corporativa: O Cérebro Estratégico

A governança corporativa cria toda a estrutura de poder e tomada de decisão de uma organização. Ela define as regras do jogo para equilibrar os interesses de todo mundo que se relaciona com a empresa: acionistas, diretores, colaboradores, clientes e a própria sociedade.
No Brasil, o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) dita os quatro pilares essenciais: Transparência, Equidade (justiça), Prestação de Contas (accountability) e Responsabilidade Corporativa (sustentabilidade e perenidade do negócio).

Compliance: O Braço Executor
A palavra vem do inglês to comply, que significa "estar em conformidade". O papel do compliance é garantir que as diretrizes éticas da governança e as leis externas (como a Lei Anticorrupção, leis ambientais ou trabalhistas) sejam rigidamente seguidas no dia a dia.

Se a Governança escreve o Código de Conduta e a Política de Responsabilidade Social da empresa, o Compliance cria os canais de denúncia, monitora os processos, aplica treinamentos e garante que ninguém desvie da linha.

Resumo da ópera:Sem uma boa Governança Corporativa, o Compliance perde o rumo e vira só burocracia. Sem o Compliance, as regras da Governança ficam apenas no papel e não se transformam em cultura prática.

Implementar uma política de compliance estruturada e alinhada à Governança Corporativa exige transformar a teoria (o Código de Conduta) em prática diária. Para que esse sistema funcione de verdade e não seja apenas um "manual de gaveta", ele deve seguir um ciclo contínuo baseado em quatro pilares práticos:

1. O Alicerce: O Exemplo vem do Topo (Tone from the Top)
O compliance só ganha força se a alta liderança (Conselho de Administração e Diretoria) for a primeira a dar o exemplo e a cobrar os resultados.

 Ação: O Conselho deve aprovar o Código de Conduta e a liderança precisa participar ativamente dos treinamentos. Se os gestores ignorarem as regras para "bater metas a qualquer custo", o programa cai por terra.
 Alinhamento com a Governança: Conecta-se diretamente aos pilares de Responsabilidade Corporativa e Equidade, mostrando que as regras valem para todos, do estagiário ao CEO.

2. Mapeamento de Riscos e Regras Claras
Não existe um modelo de compliance que sirva para todas as empresas. Uma mineradora, um hotel, uma startup de tecnologia e uma empresa de saneamento enfrentam riscos completamente diferentes.
 Ação: Faça uma análise profunda dos riscos do negócio (riscos regulatórios, ambientais, trabalhistas, de fraudes ou operacionais). A partir disso, crie políticas específicas (política de compras, de contratação de terceiros, de segurança do trabalho, etc.).

Alinhamento com a Governança: Garante a Prestação de Contas (accountability), pois define claramente o que pode e o que não pode ser feito e quem responde por cada processo.

3. Canal de Denúncias e Investigações Independentes
A transparência só existe se as pessoas tiverem um ambiente seguro para relatar desvios de conduta sem medo de retaliação.

 Ação: Implemente um Canal de Denúncias anônimo e independente (geralmente gerido por uma empresa terceirizada). Todo relato deve gerar uma investigação interna sigilosa, e, se o desvio for comprovado, medidas disciplinares devem ser aplicadas de forma justa.
 
Alinhamento com a Governança: É a aplicação pura da Transparência. Um canal ativo protege o patrimônio da empresa e evita escândalos que possam destruir o valor do negócio.

4. Comunicação, Treinamento e Monitoramento Contínuo
O compliance precisa se transformar na cultura da empresa, e cultura se constrói com repetição e monitoramento.
 Ação: Realize treinamentos práticos e periódicos (com dinâmicas, estudos de caso e exemplos reais). Além disso, a área de compliance deve realizar auditorias constantes para checar se os processos estão sendo seguidos e atualizar as regras sempre que a legislação mudar.

O Fluxo da Implementação Prática
Para visualizar como tirar o projeto do papel, o processo segue esta ordem lógica de maturidade:

[Diagnóstico de Riscos] ➔ [Criação do Código de Conduta] ➔ [Treinamento da Equipe] ➔ [Abertura do Canal de Denúncias] ➔ [Auditoria e Ajustes]

Se você estivesse estruturando as regras de conduta para uma equipe específica (como um time operacional que lida com o público ou com fornecedores), qual seria o maior desafio de conformidade que você priorizaria mitigar primeiro?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

SAMBAQUIS

 Sambaquis: testemunhos milenares da história dos povos antigos no Brasil



Os sambaquis são grandes montes formados por conchas, ossos de peixes e outros restos de alimentos, construídos por nativos pré-colombianos ao longo de milhares de anos. O termo "sambaqui" vem do tupi e significa "amontoado de conchas". Essas estruturas monumentais, localizadas principalmente no litoral brasileiro, desempenharam diversas funções ao longo do tempo e são verdadeiros marcos arqueológicos, fundamentais para o estudo das antigas civilizações que habitaram o território nacional.

Origem e funções dos sambaquis

Os primeiros sambaquis surgiram como depósitos de restos de alimentos e conchas descartadas, mas sua função foi se modificando com o passar dos séculos. Em um primeiro momento, serviam como depósitos para resíduos e, posteriormente, como espaços habitacionais para grandes comunidades. Alguns sambaquis chegaram a se transformar em verdadeiros cemitérios, com milhares de corpos enterrados em seu interior, funcionando como câmaras funerárias.

Além de sua função social, os sambaquis eram fontes de calcário, sendo amplamente utilizados na construção de habitações e outras edificações, especialmente no período colonial. No século 16, os colonizadores europeus começaram a moer as conchas para produzir cal, empregando o material na construção de engenhos de açúcar e edifícios importantes, como o primeiro Palácio do Governador, em Salvador.

Riquezas arqueológicas encontradas nos sambaquis

As escavações arqueológicas nos sambaquis revelaram um rico acervo de objetos utilizados pelos povos que os construíram. Entre os artefatos encontrados, destacam-se anzóis, flechas, arpões, machados, facas e quebra-cocos, que fornecem pistas sobre o modo de vida dessas comunidades. Também foram encontrados vestígios humanos e animais, indicando que esses montes abrigavam grandes populações ao longo de milênios.

Os sambaquis também ajudam a compreender as mudanças culturais e alimentares ocorridas no Brasil antigo. Estudos indicam que os povos responsáveis por sua construção eram distintos dos tupi-guarani, que chegaram ao litoral brasileiro por volta do ano 1000. A diferença de hábitos culturais entre esses grupos demonstra a diversidade das sociedades pré-colombianas que habitaram a região.

Distribuição e importância dos sambaquis no Brasil

Embora os sambaquis sejam mais comuns no litoral, especialmente nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, também foram encontrados em áreas do interior, como no baixo Amazonas e no Xingu. Em Santa Catarina, estão localizados os maiores sambaquis do Brasil e do mundo, alguns com até 30 metros de altura e centenas de metros de extensão. As cidades de Laguna e Jaguaruna, por exemplo, abrigam 42 sambaquis catalogados, que oferecem um panorama impressionante da vida dos povos antigos.

No estado de São Paulo, destacam-se os sambaquis de Cananéia, São Vicente e Iguape, que também revelam a complexidade dessas estruturas. Acredita-se que alguns sambaquis tenham sido construídos há mais de 6 mil anos, o que os torna contemporâneos a algumas das civilizações mais antigas do mundo.

Legado e preservação

Os sambaquis são uma janela para o passado e permitem entender melhor os hábitos, as culturas e os movimentos migratórios dos primeiros povos brasileiros. Hoje, esses sítios arqueológicos são estudados e preservados em museus especializados, como o Museu do Homem de Sambaqui, em Florianópolis, que se dedica a proteger e divulgar essa herança histórica.

Curiosamente, sambaquis não são exclusivos do Brasil. Estruturas semelhantes também existem em outros continentes, como África, América e Europa, demonstrando que a prática de acumular conchas e restos de alimentos era comum entre diferentes civilizações antigas.

Preservar os sambaquis é essencial para garantir que a história dos primeiros habitantes do Brasil continue sendo estudada e compreendida por futuras gerações. Esses monumentos naturais e arqueológicos são um lembrete poderoso das origens culturais do país e da riqueza de suas civilizações ancestrais.


A Formação dos Sambaquis

1.     O Cotidiano dos Povos Sambaquieiros

Na primeira etapa, vemos os povos pré-históricos vivendo próximos ao litoral ou a rios. Eles pescavam, coletavam moluscos e outros alimentos, e utilizavam recursos naturais para sua sobrevivência. Os restos de conchas, ossos de peixes e utensílios quebrados eram descartados em um mesmo local.

2.     O Início da Formação do Sambaqui

Com o passar do tempo, o acúmulo de materiais foi formando pequenos montes. Camadas de conchas, restos de animais e outros objetos descartados começaram a se sobrepor, criando a base do sambaqui. Essas estruturas não eram apenas depósitos de lixo, mas também tinham funções simbólicas e rituais.

3.     O Sambaqui Desenvolvido

Na etapa final, o sambaqui se tornou uma grande elevação, coberta por vegetação em suas camadas superiores. Os arqueólogos investigam essas formações e encontram vestígios importantes da vida dos povos antigos, como ferramentas, ossos humanos e restos de cerâmica, revelando aspectos culturais e sociais dessa civilização pré-histórica.

sábado, 4 de janeiro de 2025

TRATADO DOS ANJOS

 


O tratado dos anjos de Santo Tomás de Aquino está presente principalmente na Suma Teológica, especialmente na Prima Pars (Primeira Parte), questões 50 a 64. Esse tratado é uma das mais detalhadas explorações teológicas sobre a natureza, o estado e as operações dos anjos. Abaixo estão alguns dos principais temas abordados:


1. A Natureza dos Anjos


Seres espirituais e imateriais: Os anjos são substâncias completamente espirituais, sem qualquer composição material. Isso os distingue dos seres humanos, que possuem alma e corpo.


Inteligência superior: Por serem seres espirituais, sua inteligência é mais elevada e pura do que a dos humanos. Eles conhecem diretamente as verdades, sem necessidade de raciocínio discursivo.


Imortalidade: Por não terem corpo, os anjos são incorruptíveis e, portanto, imortais.


2. Criação dos Anjos


Santo Tomás ensina que os anjos foram criados diretamente por Deus no início da criação. Eles não existem desde toda a eternidade, pois somente Deus é eterno.


Foram criados bons, mas com liberdade de escolha, o que levou à queda de alguns.


3. A Hierarquia dos Anjos


Com base nas Escrituras e na tradição, Santo Tomás descreve uma hierarquia angélica, composta de nove coros organizados em três tríades: 


Primeira tríade: Serafins, Querubins, Tronos (ligados diretamente à contemplação de Deus).


Segunda tríade: Dominações, Virtudes, Potestades (responsáveis pelo governo do universo).


Terceira tríade: Principados, Arcanjos, Anjos (mais próximos da humanidade).


Essa hierarquia reflete a ordem perfeita da criação divina.


4. O Conhecimento dos Anjos


Os anjos possuem conhecimento infuso, isto é, dado diretamente por Deus no momento de sua criação. Eles não aprendem ou raciocinam como os humanos.


Seu conhecimento abrange tanto as coisas divinas quanto as terrenas, mas é limitado: eles não podem conhecer diretamente os segredos do coração humano ou o futuro, exceto se Deus lhes revelar.


5. A Vontade dos Anjos


Os anjos possuem livre-arbítrio, mas suas escolhas são definitivas. Quando escolheram servir a Deus ou se rebelar, essa escolha foi irrevogável.


O pecado de Lúcifer e dos anjos caídos foi a soberba, uma recusa em submeter-se a Deus.


6. A Função dos Anjos Bons


Os anjos bons servem como mensageiros e instrumentos de Deus. Eles protegem os humanos, intercedem por eles e ajudam na realização do plano divino.


Cada pessoa tem um anjo da guarda, que a acompanha e auxilia em sua jornada terrena.


7. Os Anjos Caídos


Os anjos que se rebelaram contra Deus tornaram-se demônios. Eles foram condenados ao inferno e trabalham contra o plano divino, tentando afastar os humanos de Deus.


8. Relação com o Tempo e o Espaço


Como seres imateriais, os anjos não estão sujeitos ao tempo e ao espaço da mesma forma que os humanos. No entanto, eles podem agir em locais específicos, mas sua presença não é física.


Importância do Tratado


O tratado dos anjos de Santo Tomás é essencial porque esclarece questões filosóficas e teológicas sobre a natureza da realidade espiritual e a ordem divina. Além disso, ele reflete a harmonia e a perfeição da criação, onde os anjos desempenham papéis fundamentais. Esse estudo ajudou a formar a base da doutrina cristã sobre os anjos e continua sendo uma referência importante na teologia.


 




terça-feira, 12 de dezembro de 2023

EXPOSIÇÃO DE ARTE SACRA

 Exposição de Arte Sacra 

Hoje, ao passar pela Praça do Centenário, algo chamou minha atenção: uma casa antiga, bem ali na praça, estava aberta e recebia visitantes. A curiosidade me fez parar e entrar. Lá dentro, para minha surpresa, estava acontecendo uma Exposição de Arte Sacra do Período Barroco.  

Ao cruzar a porta, fui imediatamente envolvido por um ambiente que exalava história e devoção. Havia utensílios litúrgicos minuciosamente trabalhados, imagens e pinturas que pareciam ganhar vida, coroas de imagens reluzentes e objetos da Semana Santa que traziam à memória ritos tão profundos de fé.  

O ponto alto, porém, foi a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira, imponente e serena, irradiando uma presença que parecia preencher todo o espaço. Fiquei ali por um tempo, contemplando, como se aquele encontro tivesse sido preparado especialmente para mim. Foi um momento de descoberta e paz, escondido no coração daquela casa tão cheia de histórias.




A peça exibida na imagem é um suporte ou peanha de madeira policromada, ornamentada com três cabeças de querubins em relevo, alinhados frontalmente. As cabeças possuem traços infantis e estão dispostas em torno de um motivo central, destacando a ornamentação característica do período barroco.

Características barrocas da peça:

1. Uso de querubins: Frequentemente, o Barroco empregava figuras angélicas para simbolizar o celestial e o divino. Os querubins, em particular, eram associados à proximidade de Deus.

2. Madeira policromada: Este material e técnica eram predominantes em esculturas e elementos decorativos do período, especialmente em regiões ibero-americanas e europeias de influência católica.

3. Riqueza nos detalhes: A atenção dada às expressões faciais, aos cabelos e ao movimento das figuras ilustra o desejo barroco de criar peças que transmitissem emoção e profundidade espiritual.

4. Função litúrgica ou decorativa: A base pode ter sido usada como suporte para uma imagem sacra ou como parte de um altar, reforçando sua relação com o contexto religioso do Barroco.

Essa peça, com sua estética exuberante e simbologia angelical, reflete o espírito do Barroco, que buscava exaltar a fé e impressionar os fiéis por meio da arte. Caso queira mais detalhes sobre o contexto histórico ou artístico, posso complementar.



A imagem representa São Miguel Arcanjo em uma escultura do período barroco, evidenciada pelos detalhes ornamentados e pela dramaticidade da composição. São Miguel está representado como um guerreiro celestial, trajando uma armadura ricamente decorada, com detalhes dourados que realçam seu papel como líder das hostes celestiais. 

As asas são amplas, com destaque para as curvas e ornamentos dourados que adicionam movimento e fluidez à peça, característica comum do barroco, que busca transmitir dinamismo e emoção. Ele segura uma balança, símbolo de justiça divina, e uma lança, representando sua luta contra o mal, geralmente associada à vitória sobre o dragão na iconografia cristã.

Os tons vibrantes e a riqueza nos detalhes, como o tecido azul e dourado do manto e os arabescos da armadura, são marcas do barroco, que privilegia o esplendor e a teatralidade para impactar e emocionar o observador. A postura de São Miguel, com um pé apoiado sobre uma nuvem estilizada, confere uma sensação de leveza e elevação espiritual, típica da arte religiosa deste período.


São Sebastião
 

A peça retrata São Sebastião, um mártir cristão amplamente representado na arte sacra. Ela segue o estilo barroco, caracterizado pelo dinamismo e pela dramaticidade. O santo é apresentado preso a um tronco de árvore, com os braços amarrados e o corpo ferido por flechas, simbolizando seu martírio. O rosto expressa serenidade em meio ao sofrimento, transmitindo a fé e a entrega a Deus. As vestes simples e o uso de dourados nos detalhes destacam a delicadeza da escultura e remetem à espiritualidade da época. O tronco e o pedestal escurecidos contrastam com o tom claro da pele, realçando a figura central.

Nossa Senhora das Dores 


A imagem retrata Nossa Senhora das Dores, uma representação clássica da Virgem Maria associada à sua compaixão e sofrimento durante a Paixão de Cristo. Pertencente à época barroca, a escultura exibe características marcantes desse estilo, como o realismo dramático e o rico detalhamento.

Ela é esculpida em madeira, o que explica seu peso e robustez, e ornamentada com um manto preto e dourado, simbolizando luto e realeza. O dourado, com desenhos elaborados, realça a nobreza da figura, enquanto a posição das mãos unidas reflete sua profunda tristeza e submissão à vontade divina.

A coroa de estrelas ao redor da cabeça reforça sua pureza e ligação celestial, uma característica frequentemente associada à iconografia mariana. Essa imagem é grandiosa e destinada a expressar o drama da Semana Santa, sendo utilizada em procissões solenes, onde seu porte imponente contribui para um impacto visual e espiritual significativo.

São Joaquim 

A imagem mostra uma escultura religiosa em madeira policromada, típica do período Barroco, com traços que destacam o dinamismo e a expressividade característicos dessa época. A figura masculina, com barba longa e cabelos brancos, é representada em uma pose dramática e envolvente, típica do estilo barroco, que buscava transmitir emoção e intensidade. Ele veste uma túnica ricamente ornamentada nas cores dourada e vermelha, cores frequentemente associadas à grandiosidade e à sacralidade no Barroco. Na mão direita, segura um cajado curvado, elemento que reforça o simbolismo de liderança espiritual ou pastoreio.

A base da escultura, com formato hexagonal e acabamento que imita mármore, reflete a atenção aos detalhes e o uso de materiais e texturas que conferem luxo e requinte às peças desse período. 

São Bento


No período barroco, havia uma ênfase na dramaticidade, no movimento e na ornamentação rica, características que serviam para reforçar a religiosidade e inspirar a fé nos fiéis. A escultura de São Bento reflete esses aspectos com o cuidado nos detalhes das vestes, adornadas com dourado, e na expressão séria e contemplativa, que transmite autoridade e santidade.

São Bento, fundador da Ordem dos Beneditinos e autor da Regra de São Bento, é frequentemente representado com símbolos que remetem à sua vida e à sua espiritualidade. O cajado que segura pode ser associado à sua liderança espiritual como abade, enquanto o livro pode simbolizar a Regra Beneditina, que estruturou a vida monástica no Ocidente.

Além disso, o trabalho no drapeado das vestes e nos detalhes dourados reforça o estilo barroco, que buscava atrair os fiéis pela beleza e criar uma atmosfera de devoção intensa. Essa escultura, portanto, não é apenas uma representação de São Bento, mas também um testemunho do poder da arte barroca em transmitir espiritualidade e emoção.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

HISTÓRIA DA COMUNIDADE NEGRA DOS ARTUROS - Contagem

O quilombo surgiu com o negro Arthur Camilo Silvério. Embora Arthur vivesse no tempo da escravidão, ele era um homem livre, já que na época de seu nascimento (1880) imperava a Lei do Ventre Livre, a qual tornava libertos todos os cativos nascidos a partir de 1871. Mesmo sendo um homem alforriado pela lei, ele sofreu tanto quanto um escravo, pois não conseguiu, a priori, tirar o sustento da terra comprada pelo pai, por isso teve que trabalhar duro em varias fazendas, onde foi castigado, humilhado e colocado sobre a vigília de cães.

Um dia o seu pai faleceu. Artur quis presta-lhe as ultimas homenagens. Pediu permissão ao seu patrão. Insistiu quando este o proibiu de vê-lo, mas tudo o que conseguiu, foi levar um golpe no rosto com um instrumento de madeira. Isso foi o estopim, ele não suportou mais a vida de privação na fazenda. Fugiu, passando por diversos lugares. Trabalhou arduamente com a esperança de conseguir uma vida melhor. A fé e o esforço de Artur renderam-lhe fruto. Ele acumulou recursos e pode retornar a terra que herdou do pai. Viveu no local tranquilamente. Cuidado dos filhos adotivos e legítimos que tivera com sua esposa Carmelinda Maria da Silva.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

ZEZÉ LEONE – A curiosa história de uma Locomotiva.


https://anytamarques.blogspot.com/2020/04/locomotiva-zeze-leone.htm

Zezé Leone é uma locomotiva a vapor, pertencente ao modelo Pacific (4-6-2) construída pela American Locomotive Company (Alco) em 1922, declara o jornal Trem de Ferro da ABPF-RJ. Só pelo fato de ser um veiculo antigo já chama a atenção, pois agrega um valor histórico, que proporcionaria a compreender a evolução do transporte ferroviário e a expor a mecânica adotada naquela época. Entretanto outros aspectos curiosos estão envolvidos nesta historia.

Em primeiro lugar é a origem. Esse trem chegou ao Brasil através de uma visita inusitada. Segundo Cavalcanti, foi o Rei Alberto I da Bélgica que, quando visitou essa nação, enviou a locomotiva como presente pelo centenário da Independência. Outro fato instigante é a explicação do apelido, pois Zezé Leone foi o nome da primeira Miss Brasil eleita em 1923.

De todas as jovens que conquistaram o titulo de Miss Brasil, Zezé Leone foi a mais icônica. Recebeu homenagem em letra de marchinha; deu nome a uma rua e perfume, participou do filme “Sua Majestade, a Mais Bela”, do estúdio Botelho Films; dentre outros trabalhos publicitários. Também ganhou um doce com o seu nome. A receita pode ser conferida no link: https://charlelitoreceitas.blogspot.com/2020/04/doce-zeze-leone.html

Segundo Cavalcanti, a locomotiva, ao ser integrada a frota da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), recebeu o nº 370. Foi utilizada no transporte noturno de passageiros de Cruzeiro do Sul, o Rio de Janeiro e São Paulo. Seu principal maquinista foi Carlos Pereira da Rocha. Ele era o responsável pela linha entre Rio e São Paulo. Em sua memória relata que quando os residentes do subúrbio carioca ouviam os apitos, corriam para a janela ver a passagem do trem. Era o próprio maquinista responsável por cuidava da limpeza do veiculo. Ele fazia questão por conservar o metal sempre lustroso. Aproveitava os momentos em que a maquina estava parada e chamava os filhos para ajuda-lhe na limpeza.

Oliveira conta que em 1968 a locomotiva ficou inoperante. Estava fardada a virar sucata como o resto dos maquinários da Central do Brasil e assim ficaria perdida para sempre. Entretanto houve intenção de recuperar o patrimônio. O que demorou a ser posto em pratica.

Esta foi uma saga a parte. Conforme Oliveira como demorou a iniciar o projeto, as principais peças de bronze foram retiradas e guardadas em caixotes. Essa terminou sumindo, quando o deposito foi fechado nos anos 90.

Esquecida, exposta na frente do deposito, acabou sofrendo com a ação do tempo. Ficou anos sem proteção que impedisse sua continua ruína.

Em 1991 no jornal Trem de Ferro da ABPF-RJ exprimiu preocupação com a degradação do patrimônio e cogitou uma possível restauração no futuro. Segundo a matéria, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária recomendou a construção de uma cobertura ou a deslocamento da locomotiva para o interior do Depósito.

Conforme fontes de Oliveira, no ano 2002, a MRS e os aposentados a retiraram do lugar e a guardaram no interior, onde ficaria protegida. Só em 2005 foi redescoberta, quando o pesquisador Sergio Martire fazia o inventário das locomotivas a vapor para Notícia & Cia. Com esse trabalho foi proposto à recuperação. O projeto foi levado ao Ministério da Cultura em 2007. Nesse a MRS Logística prometeu disponibilizar recurso para o restauro. A recuperação começou em 2008.

Apesar do excelente trabalho da equipe de restauradores, a locomotiva não está sendo usada para passeios turísticos. De fato isso é um desperdício de um bem de grande potencial. Ela deveria render recursos para pagar o dinheiro gasto com o restauro e gera renda para o município.



Conclusão



A história dessa locomotiva é um exemplo do que acontece com muitos dos patrimônios no Brasil. Já que, apesar do reconhecimento de ser um bem importante, e do alerta pela necessidade de restauração, deixou-se deteriorar por um longo tempo. Certamente os recursos utilizados foram maiores do que se tivesse iniciado o projeto antes, quando ainda a deterioração não era menor.

Faltamente isso poderá levar a uma nova degradação do patrimônio e talvez a perda total. Já que os recursos adquiridos pelo uso, uma parte deveriam ser revertido na sua manutenção. Se não há a utilidade, não tem como manter a preservação desse atrativo.

Enfim atrativos turísticos não devem ser pensados como meros enfeites para cidades e sim como geradores de renda e emprego.



Referências Bibliográficas:


Artigo sobre a locomotiva Zezé Leone no jornal “Trem de Ferro”, da ABPF-RJ, em 1991.




CAVALCANTI, Flavio, Locomotiva Zezé Leone: história, recuperação e projeto turístico, disponível em: http://vfco.brazilia.jor.br/atualizacoes/2013-07-22-projeto-turistico-locomotiva-Zeze-Leone.shtml


OLIVEIRA, Andreia, A Imponente Zeze Leone, disponível em: http://deianarede.blogspot.com/2012/06/imponente-zeze-leone.html O processo recuperação esta registrado nesse site. 

Pintura de Ana Paula Marques Soares. Link: https://anytamarques.blogspot.com/2020/04/locomotiva-zeze-leone.html