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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Riscos


• Planejamento do gerenciamento

 O que é: Definição das diretrizes, regras, ferramentas e responsáveis por gerenciar os riscos do negócio turístico.
Exemplo no Turismo: Uma grande operadora de ecoturismo e hotelaria realiza reuniões com seus gerentes para criar uma política oficial de gerenciamento de riscos. Eles decidem que usarão um formulário padrão para relatar incidentes, definem que 2% do orçamento anual será reservado para contingências e estipulam que o gerente de operações será o responsável por revisar a matriz de riscos a cada seis meses.

• Identificação
 O que é: Mapeamento e listagem de todos os riscos específicos que podem impactar a operação ou os clientes.
 Exemplo no Turismo: Uma agência de viagens reúne seus guias e especialistas em um brainstorming para listar os riscos de um novo roteiro internacional. Eles identificam riscos como: cancelamento de voos por condições climáticas, surtos de doenças locais que exijam vacinação de última hora, flutuação cambial que encareça os hotéis parceiros e a possibilidade de overbooking.

• Análise qualitativa e quantitativa
 O que é: Avaliação da probabilidade de ocorrência de um risco e a mensuração do impacto financeiro ou operacional que ele pode causar no negócio.
 Exemplo no Turismo: Um hotel de praia utiliza a técnica de cenários para avaliar o impacto da previsão de uma temporada de chuvas intensas ou furacões. Eles simulam três cenários na planilha financeira:
 Cenário Esperado: Ocupação média normal. Cenário Conservador/Pessimista: Queda de 40% nas reservas devido ao mau tempo, o que exigirá corte de custos operacionais e promoções agressivas para turistas locais.
Cenário Otimista: Tempo firme e ocupação acima da média

 • Planejamento das respostas
O que é: Definição de ações estratégicas para evitar, transferir ou minimizar as ameaças identificadas.
Exemplo no Turismo (aplicando as três estratégias):
  Prevenção: Uma empresa de passeios de lancha faz manutenções preventivas rigorosas em seus motores todas as semanas para evitar que uma pane ocorra com turistas a bordo.
 
Transferência: Uma agência de intercâmbio exige que todos os seus estudantes contratem obrigatoriamente um seguro-viagem robusto, passando para a seguradora o risco financeiro de eventuais despesas médicas no exterior.
 
Mitigação: Um resort que depende de um único fornecedor de alimentos cria parcerias com produtores locais secundários (diversificação), garantindo que, se o principal falhar, o buffet do hotel não seja impactado.

• Monitoramento / Controle
 O que é: Acompanhamento contínuo dos riscos no dia a dia e execução rápida do plano de ação quando o problema de fato acontece.
 
Exemplo no Turismo: Durante uma viagem de turismo de aventura, a equipe de guias monitora continuamente os alertas meteorológicos no rádio. Se o risco se materializa e uma tempestade repentina começa, os guias, que já foram previamente treinados e têm *responsabilidades bem definidas, acionam imediatamente o plano de evacuação planejado, direcionando os turistas para o abrigo seguro mais próximo de forma coordenada.

O Risco no setor turístico

A ideia de que risco é apenas "algo ruim" é falsa. Ele reposiciona como variabilidade (a chance de o futuro ser diferente do esperado, para o bem ou para o mau) e como uma combinação de probabilidade vs. impacto.
Para explicar a diferença entre risco e incerteza no ramo do turismo, a forma mais simples de diferenciar os dois conceitos (que vem da economia, proposta por Frank Knight) é:
 Risco: Você não sabe o que vai acontecer, mas conhece as chances (as probabilidades podem ser calculadas).
 Incerteza: Você não sabe o que vai acontecer e nem sequer tem base para calcular as chances (o cenário é inédito ou imprevisível).
Vamos ver como isso se aplica na prática em uma Agência de Ecoturismo e Aventuras:

1. O Risco no Turismo (A Variabilidade Calculável)
No risco, a empresa consegue olhar para o histórico, usar dados e precificar a chance de algo dar errado ou muito certo.
 
Exemplo de Risco Negativo (Prejuízo): A agência organiza passeios de balão. Pelos dados históricos da região, ela sabe que em 10% dos dias do ano o vento impede o voo por questões de segurança. Isso é um risco conhecido. A empresa se planeja financeiramente para reembolsar os clientes nesses 10% de dias.

Exemplo de Risco Positivo (Oportunidade): A mesma agência lança um pacote para observar a queima de fogos de Copacabana de dentro de um catamarã. O resultado esperado é vender 100 ingressos. Mas há o "risco" de o evento viralizar nas redes sociais e a demanda ser de 500 pessoas. O resultado foi muito diferente do esperado, mas para o lado positivo. Ela precisa gerenciar isso para conseguir barcos extras e lucrar mais.
Nesses casos, a fórmula Probabilidade × Impacto funciona perfeitamente para mitigar os problemas ou agarrar as oportunidades.

2. A Incerteza no Turismo (O Imprevisível)
Aqui, a régua de probabilidade quebra. Não existem dados anteriores para prever o evento ou mensurar o seu impacto real.
 Exemplo Histórico: O surgimento da pandemia de COVID-19 em 2020. Nenhuma agência de turismo tinha em sua planilha a probabilidade de o espaço aéreo mundial fechar por meses. Não dava para calcular o impacto previamente porque o cenário era totalmente inédito.
 
Exemplo de Mudança de Hábito: Imagine que uma nova regulamentação ambiental proíba subitamente o turismo em uma cidade histórica inteira para preservação, sem aviso prévio. A agência que operava ali cai em um estado de incerteza: ela não sabe se a proibição dura um mês, dez anos, ou se os clientes vão aceitar mudar para outro destino.

Resumo da Ópera no Turismo:
O risco a agência gerencia contratando seguros, olhando a previsão do tempo e criando planos de contingência (pois ela conhece o inimigo). A incerteza ela enfrenta com resiliência, caixa financeiro e capacidade de adaptação rápida, pois o cenário exige "ousar" (como na origem da palavra riscare) para transformar o desconhecido em uma nova oportunidade.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

SAMBAQUIS

 Sambaquis: testemunhos milenares da história dos povos antigos no Brasil



Os sambaquis são grandes montes formados por conchas, ossos de peixes e outros restos de alimentos, construídos por nativos pré-colombianos ao longo de milhares de anos. O termo "sambaqui" vem do tupi e significa "amontoado de conchas". Essas estruturas monumentais, localizadas principalmente no litoral brasileiro, desempenharam diversas funções ao longo do tempo e são verdadeiros marcos arqueológicos, fundamentais para o estudo das antigas civilizações que habitaram o território nacional.

Origem e funções dos sambaquis

Os primeiros sambaquis surgiram como depósitos de restos de alimentos e conchas descartadas, mas sua função foi se modificando com o passar dos séculos. Em um primeiro momento, serviam como depósitos para resíduos e, posteriormente, como espaços habitacionais para grandes comunidades. Alguns sambaquis chegaram a se transformar em verdadeiros cemitérios, com milhares de corpos enterrados em seu interior, funcionando como câmaras funerárias.

Além de sua função social, os sambaquis eram fontes de calcário, sendo amplamente utilizados na construção de habitações e outras edificações, especialmente no período colonial. No século 16, os colonizadores europeus começaram a moer as conchas para produzir cal, empregando o material na construção de engenhos de açúcar e edifícios importantes, como o primeiro Palácio do Governador, em Salvador.

Riquezas arqueológicas encontradas nos sambaquis

As escavações arqueológicas nos sambaquis revelaram um rico acervo de objetos utilizados pelos povos que os construíram. Entre os artefatos encontrados, destacam-se anzóis, flechas, arpões, machados, facas e quebra-cocos, que fornecem pistas sobre o modo de vida dessas comunidades. Também foram encontrados vestígios humanos e animais, indicando que esses montes abrigavam grandes populações ao longo de milênios.

Os sambaquis também ajudam a compreender as mudanças culturais e alimentares ocorridas no Brasil antigo. Estudos indicam que os povos responsáveis por sua construção eram distintos dos tupi-guarani, que chegaram ao litoral brasileiro por volta do ano 1000. A diferença de hábitos culturais entre esses grupos demonstra a diversidade das sociedades pré-colombianas que habitaram a região.

Distribuição e importância dos sambaquis no Brasil

Embora os sambaquis sejam mais comuns no litoral, especialmente nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, também foram encontrados em áreas do interior, como no baixo Amazonas e no Xingu. Em Santa Catarina, estão localizados os maiores sambaquis do Brasil e do mundo, alguns com até 30 metros de altura e centenas de metros de extensão. As cidades de Laguna e Jaguaruna, por exemplo, abrigam 42 sambaquis catalogados, que oferecem um panorama impressionante da vida dos povos antigos.

No estado de São Paulo, destacam-se os sambaquis de Cananéia, São Vicente e Iguape, que também revelam a complexidade dessas estruturas. Acredita-se que alguns sambaquis tenham sido construídos há mais de 6 mil anos, o que os torna contemporâneos a algumas das civilizações mais antigas do mundo.

Legado e preservação

Os sambaquis são uma janela para o passado e permitem entender melhor os hábitos, as culturas e os movimentos migratórios dos primeiros povos brasileiros. Hoje, esses sítios arqueológicos são estudados e preservados em museus especializados, como o Museu do Homem de Sambaqui, em Florianópolis, que se dedica a proteger e divulgar essa herança histórica.

Curiosamente, sambaquis não são exclusivos do Brasil. Estruturas semelhantes também existem em outros continentes, como África, América e Europa, demonstrando que a prática de acumular conchas e restos de alimentos era comum entre diferentes civilizações antigas.

Preservar os sambaquis é essencial para garantir que a história dos primeiros habitantes do Brasil continue sendo estudada e compreendida por futuras gerações. Esses monumentos naturais e arqueológicos são um lembrete poderoso das origens culturais do país e da riqueza de suas civilizações ancestrais.


A Formação dos Sambaquis

1.     O Cotidiano dos Povos Sambaquieiros

Na primeira etapa, vemos os povos pré-históricos vivendo próximos ao litoral ou a rios. Eles pescavam, coletavam moluscos e outros alimentos, e utilizavam recursos naturais para sua sobrevivência. Os restos de conchas, ossos de peixes e utensílios quebrados eram descartados em um mesmo local.

2.     O Início da Formação do Sambaqui

Com o passar do tempo, o acúmulo de materiais foi formando pequenos montes. Camadas de conchas, restos de animais e outros objetos descartados começaram a se sobrepor, criando a base do sambaqui. Essas estruturas não eram apenas depósitos de lixo, mas também tinham funções simbólicas e rituais.

3.     O Sambaqui Desenvolvido

Na etapa final, o sambaqui se tornou uma grande elevação, coberta por vegetação em suas camadas superiores. Os arqueólogos investigam essas formações e encontram vestígios importantes da vida dos povos antigos, como ferramentas, ossos humanos e restos de cerâmica, revelando aspectos culturais e sociais dessa civilização pré-histórica.

sábado, 4 de janeiro de 2025

TRATADO DOS ANJOS

 


O tratado dos anjos de Santo Tomás de Aquino está presente principalmente na Suma Teológica, especialmente na Prima Pars (Primeira Parte), questões 50 a 64. Esse tratado é uma das mais detalhadas explorações teológicas sobre a natureza, o estado e as operações dos anjos. Abaixo estão alguns dos principais temas abordados:


1. A Natureza dos Anjos


Seres espirituais e imateriais: Os anjos são substâncias completamente espirituais, sem qualquer composição material. Isso os distingue dos seres humanos, que possuem alma e corpo.


Inteligência superior: Por serem seres espirituais, sua inteligência é mais elevada e pura do que a dos humanos. Eles conhecem diretamente as verdades, sem necessidade de raciocínio discursivo.


Imortalidade: Por não terem corpo, os anjos são incorruptíveis e, portanto, imortais.


2. Criação dos Anjos


Santo Tomás ensina que os anjos foram criados diretamente por Deus no início da criação. Eles não existem desde toda a eternidade, pois somente Deus é eterno.


Foram criados bons, mas com liberdade de escolha, o que levou à queda de alguns.


3. A Hierarquia dos Anjos


Com base nas Escrituras e na tradição, Santo Tomás descreve uma hierarquia angélica, composta de nove coros organizados em três tríades: 


Primeira tríade: Serafins, Querubins, Tronos (ligados diretamente à contemplação de Deus).


Segunda tríade: Dominações, Virtudes, Potestades (responsáveis pelo governo do universo).


Terceira tríade: Principados, Arcanjos, Anjos (mais próximos da humanidade).


Essa hierarquia reflete a ordem perfeita da criação divina.


4. O Conhecimento dos Anjos


Os anjos possuem conhecimento infuso, isto é, dado diretamente por Deus no momento de sua criação. Eles não aprendem ou raciocinam como os humanos.


Seu conhecimento abrange tanto as coisas divinas quanto as terrenas, mas é limitado: eles não podem conhecer diretamente os segredos do coração humano ou o futuro, exceto se Deus lhes revelar.


5. A Vontade dos Anjos


Os anjos possuem livre-arbítrio, mas suas escolhas são definitivas. Quando escolheram servir a Deus ou se rebelar, essa escolha foi irrevogável.


O pecado de Lúcifer e dos anjos caídos foi a soberba, uma recusa em submeter-se a Deus.


6. A Função dos Anjos Bons


Os anjos bons servem como mensageiros e instrumentos de Deus. Eles protegem os humanos, intercedem por eles e ajudam na realização do plano divino.


Cada pessoa tem um anjo da guarda, que a acompanha e auxilia em sua jornada terrena.


7. Os Anjos Caídos


Os anjos que se rebelaram contra Deus tornaram-se demônios. Eles foram condenados ao inferno e trabalham contra o plano divino, tentando afastar os humanos de Deus.


8. Relação com o Tempo e o Espaço


Como seres imateriais, os anjos não estão sujeitos ao tempo e ao espaço da mesma forma que os humanos. No entanto, eles podem agir em locais específicos, mas sua presença não é física.


Importância do Tratado


O tratado dos anjos de Santo Tomás é essencial porque esclarece questões filosóficas e teológicas sobre a natureza da realidade espiritual e a ordem divina. Além disso, ele reflete a harmonia e a perfeição da criação, onde os anjos desempenham papéis fundamentais. Esse estudo ajudou a formar a base da doutrina cristã sobre os anjos e continua sendo uma referência importante na teologia.


 




terça-feira, 12 de dezembro de 2023

EXPOSIÇÃO DE ARTE SACRA

 Exposição de Arte Sacra 

Hoje, ao passar pela Praça do Centenário, algo chamou minha atenção: uma casa antiga, bem ali na praça, estava aberta e recebia visitantes. A curiosidade me fez parar e entrar. Lá dentro, para minha surpresa, estava acontecendo uma Exposição de Arte Sacra do Período Barroco.  

Ao cruzar a porta, fui imediatamente envolvido por um ambiente que exalava história e devoção. Havia utensílios litúrgicos minuciosamente trabalhados, imagens e pinturas que pareciam ganhar vida, coroas de imagens reluzentes e objetos da Semana Santa que traziam à memória ritos tão profundos de fé.  

O ponto alto, porém, foi a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira, imponente e serena, irradiando uma presença que parecia preencher todo o espaço. Fiquei ali por um tempo, contemplando, como se aquele encontro tivesse sido preparado especialmente para mim. Foi um momento de descoberta e paz, escondido no coração daquela casa tão cheia de histórias.




A peça exibida na imagem é um suporte ou peanha de madeira policromada, ornamentada com três cabeças de querubins em relevo, alinhados frontalmente. As cabeças possuem traços infantis e estão dispostas em torno de um motivo central, destacando a ornamentação característica do período barroco.

Características barrocas da peça:

1. Uso de querubins: Frequentemente, o Barroco empregava figuras angélicas para simbolizar o celestial e o divino. Os querubins, em particular, eram associados à proximidade de Deus.

2. Madeira policromada: Este material e técnica eram predominantes em esculturas e elementos decorativos do período, especialmente em regiões ibero-americanas e europeias de influência católica.

3. Riqueza nos detalhes: A atenção dada às expressões faciais, aos cabelos e ao movimento das figuras ilustra o desejo barroco de criar peças que transmitissem emoção e profundidade espiritual.

4. Função litúrgica ou decorativa: A base pode ter sido usada como suporte para uma imagem sacra ou como parte de um altar, reforçando sua relação com o contexto religioso do Barroco.

Essa peça, com sua estética exuberante e simbologia angelical, reflete o espírito do Barroco, que buscava exaltar a fé e impressionar os fiéis por meio da arte. Caso queira mais detalhes sobre o contexto histórico ou artístico, posso complementar.



A imagem representa São Miguel Arcanjo em uma escultura do período barroco, evidenciada pelos detalhes ornamentados e pela dramaticidade da composição. São Miguel está representado como um guerreiro celestial, trajando uma armadura ricamente decorada, com detalhes dourados que realçam seu papel como líder das hostes celestiais. 

As asas são amplas, com destaque para as curvas e ornamentos dourados que adicionam movimento e fluidez à peça, característica comum do barroco, que busca transmitir dinamismo e emoção. Ele segura uma balança, símbolo de justiça divina, e uma lança, representando sua luta contra o mal, geralmente associada à vitória sobre o dragão na iconografia cristã.

Os tons vibrantes e a riqueza nos detalhes, como o tecido azul e dourado do manto e os arabescos da armadura, são marcas do barroco, que privilegia o esplendor e a teatralidade para impactar e emocionar o observador. A postura de São Miguel, com um pé apoiado sobre uma nuvem estilizada, confere uma sensação de leveza e elevação espiritual, típica da arte religiosa deste período.


São Sebastião
 

A peça retrata São Sebastião, um mártir cristão amplamente representado na arte sacra. Ela segue o estilo barroco, caracterizado pelo dinamismo e pela dramaticidade. O santo é apresentado preso a um tronco de árvore, com os braços amarrados e o corpo ferido por flechas, simbolizando seu martírio. O rosto expressa serenidade em meio ao sofrimento, transmitindo a fé e a entrega a Deus. As vestes simples e o uso de dourados nos detalhes destacam a delicadeza da escultura e remetem à espiritualidade da época. O tronco e o pedestal escurecidos contrastam com o tom claro da pele, realçando a figura central.

Nossa Senhora das Dores 


A imagem retrata Nossa Senhora das Dores, uma representação clássica da Virgem Maria associada à sua compaixão e sofrimento durante a Paixão de Cristo. Pertencente à época barroca, a escultura exibe características marcantes desse estilo, como o realismo dramático e o rico detalhamento.

Ela é esculpida em madeira, o que explica seu peso e robustez, e ornamentada com um manto preto e dourado, simbolizando luto e realeza. O dourado, com desenhos elaborados, realça a nobreza da figura, enquanto a posição das mãos unidas reflete sua profunda tristeza e submissão à vontade divina.

A coroa de estrelas ao redor da cabeça reforça sua pureza e ligação celestial, uma característica frequentemente associada à iconografia mariana. Essa imagem é grandiosa e destinada a expressar o drama da Semana Santa, sendo utilizada em procissões solenes, onde seu porte imponente contribui para um impacto visual e espiritual significativo.

São Joaquim 

A imagem mostra uma escultura religiosa em madeira policromada, típica do período Barroco, com traços que destacam o dinamismo e a expressividade característicos dessa época. A figura masculina, com barba longa e cabelos brancos, é representada em uma pose dramática e envolvente, típica do estilo barroco, que buscava transmitir emoção e intensidade. Ele veste uma túnica ricamente ornamentada nas cores dourada e vermelha, cores frequentemente associadas à grandiosidade e à sacralidade no Barroco. Na mão direita, segura um cajado curvado, elemento que reforça o simbolismo de liderança espiritual ou pastoreio.

A base da escultura, com formato hexagonal e acabamento que imita mármore, reflete a atenção aos detalhes e o uso de materiais e texturas que conferem luxo e requinte às peças desse período. 

São Bento


No período barroco, havia uma ênfase na dramaticidade, no movimento e na ornamentação rica, características que serviam para reforçar a religiosidade e inspirar a fé nos fiéis. A escultura de São Bento reflete esses aspectos com o cuidado nos detalhes das vestes, adornadas com dourado, e na expressão séria e contemplativa, que transmite autoridade e santidade.

São Bento, fundador da Ordem dos Beneditinos e autor da Regra de São Bento, é frequentemente representado com símbolos que remetem à sua vida e à sua espiritualidade. O cajado que segura pode ser associado à sua liderança espiritual como abade, enquanto o livro pode simbolizar a Regra Beneditina, que estruturou a vida monástica no Ocidente.

Além disso, o trabalho no drapeado das vestes e nos detalhes dourados reforça o estilo barroco, que buscava atrair os fiéis pela beleza e criar uma atmosfera de devoção intensa. Essa escultura, portanto, não é apenas uma representação de São Bento, mas também um testemunho do poder da arte barroca em transmitir espiritualidade e emoção.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

HISTÓRIA DA COMUNIDADE NEGRA DOS ARTUROS - Contagem

O quilombo surgiu com o negro Arthur Camilo Silvério. Embora Arthur vivesse no tempo da escravidão, ele era um homem livre, já que na época de seu nascimento (1880) imperava a Lei do Ventre Livre, a qual tornava libertos todos os cativos nascidos a partir de 1871. Mesmo sendo um homem alforriado pela lei, ele sofreu tanto quanto um escravo, pois não conseguiu, a priori, tirar o sustento da terra comprada pelo pai, por isso teve que trabalhar duro em varias fazendas, onde foi castigado, humilhado e colocado sobre a vigília de cães.

Um dia o seu pai faleceu. Artur quis presta-lhe as ultimas homenagens. Pediu permissão ao seu patrão. Insistiu quando este o proibiu de vê-lo, mas tudo o que conseguiu, foi levar um golpe no rosto com um instrumento de madeira. Isso foi o estopim, ele não suportou mais a vida de privação na fazenda. Fugiu, passando por diversos lugares. Trabalhou arduamente com a esperança de conseguir uma vida melhor. A fé e o esforço de Artur renderam-lhe fruto. Ele acumulou recursos e pode retornar a terra que herdou do pai. Viveu no local tranquilamente. Cuidado dos filhos adotivos e legítimos que tivera com sua esposa Carmelinda Maria da Silva.