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quarta-feira, 27 de maio de 2026

O Risco no setor turístico

A ideia de que risco é apenas "algo ruim" é falsa. Ele reposiciona como variabilidade (a chance de o futuro ser diferente do esperado, para o bem ou para o mau) e como uma combinação de probabilidade vs. impacto.
Para explicar a diferença entre risco e incerteza no ramo do turismo, a forma mais simples de diferenciar os dois conceitos (que vem da economia, proposta por Frank Knight) é:
 Risco: Você não sabe o que vai acontecer, mas conhece as chances (as probabilidades podem ser calculadas).
 Incerteza: Você não sabe o que vai acontecer e nem sequer tem base para calcular as chances (o cenário é inédito ou imprevisível).
Vamos ver como isso se aplica na prática em uma Agência de Ecoturismo e Aventuras:

1. O Risco no Turismo (A Variabilidade Calculável)
No risco, a empresa consegue olhar para o histórico, usar dados e precificar a chance de algo dar errado ou muito certo.
 
Exemplo de Risco Negativo (Prejuízo): A agência organiza passeios de balão. Pelos dados históricos da região, ela sabe que em 10% dos dias do ano o vento impede o voo por questões de segurança. Isso é um risco conhecido. A empresa se planeja financeiramente para reembolsar os clientes nesses 10% de dias.

Exemplo de Risco Positivo (Oportunidade): A mesma agência lança um pacote para observar a queima de fogos de Copacabana de dentro de um catamarã. O resultado esperado é vender 100 ingressos. Mas há o "risco" de o evento viralizar nas redes sociais e a demanda ser de 500 pessoas. O resultado foi muito diferente do esperado, mas para o lado positivo. Ela precisa gerenciar isso para conseguir barcos extras e lucrar mais.
Nesses casos, a fórmula Probabilidade × Impacto funciona perfeitamente para mitigar os problemas ou agarrar as oportunidades.

2. A Incerteza no Turismo (O Imprevisível)
Aqui, a régua de probabilidade quebra. Não existem dados anteriores para prever o evento ou mensurar o seu impacto real.
 Exemplo Histórico: O surgimento da pandemia de COVID-19 em 2020. Nenhuma agência de turismo tinha em sua planilha a probabilidade de o espaço aéreo mundial fechar por meses. Não dava para calcular o impacto previamente porque o cenário era totalmente inédito.
 
Exemplo de Mudança de Hábito: Imagine que uma nova regulamentação ambiental proíba subitamente o turismo em uma cidade histórica inteira para preservação, sem aviso prévio. A agência que operava ali cai em um estado de incerteza: ela não sabe se a proibição dura um mês, dez anos, ou se os clientes vão aceitar mudar para outro destino.

Resumo da Ópera no Turismo:
O risco a agência gerencia contratando seguros, olhando a previsão do tempo e criando planos de contingência (pois ela conhece o inimigo). A incerteza ela enfrenta com resiliência, caixa financeiro e capacidade de adaptação rápida, pois o cenário exige "ousar" (como na origem da palavra riscare) para transformar o desconhecido em uma nova oportunidade.

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